PP vai anunciar acordo com PT em São Paulo sem Haddad

Apoio do partido de Maluf vai render ao pré-candidato petista mais 1min35s na propaganda eleitoral de TV

Bruno Boghossian, do estadão.com.br

18 Junho 2012 | 03h02

O PP formaliza nesta segunda-feira, 18, seu apoio à candidatura de Fernando Haddad (PT) à Prefeitura de São Paulo. O anúncio será feito às 13 horas pelo presidente estadual do partido, o deputado federal Paulo Maluf, em sua casa no bairro do Jardim Paulista.

Haddad foi convidado para participar do evento ou da homologação da aliança, marcada para 14h30, na sede do PP paulista. O único compromisso divulgado pela equipe do petista é uma entrevista para a TV Bandeirantes.

Até o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que participou das negociações para a formação da coligação, chegou a ser convidado pelo PP para participar de um dos atos. Na semana passada, médicos recomendaram a Lula que retome aos poucos os eventos públicos e poupe a garanta, ainda em consequência do tratamento contra um câncer.

Antes de aderir oficialmente à chapa do PT, Maluf vai receber um grupo de deputados federais que integra a base aliada da presidente Dilma Rousseff em Brasília. O lobby pelo apoio a Haddad foi conduzido por esses parlamentares, sob o comando do ministro Aguinaldo Ribeiro (Cidades), que não deve participar do encontro desta segunda.

Para garantir a união com os petistas, o ministro negociou com Dilma a nomeação de um aliado de Maluf para a Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental. O PP tem direito a 1min35 do horário eleitoral.

A nomeação foi publicada na sexta-feira, 15, dia em que Haddad confirmou como pré-candidata a vice em sua chapa a deputada Luiza Erundina (PSB), adversária histórica do malufismo que disse ao Estado se sentir "desconfortável" com o apoio do ex-prefeito à chapa.

Reviravolta. Há cerca de 20 dias, o grupo paulista do PP estava próximo de fechar uma aliança com o pré-candidato do PSDB à Prefeitura paulistana, José Serra. No Estado, o partido integra a base do governador tucano Geraldo Alckmin. Maluf, no entanto, rompeu as negociações com Serra depois que Alckmin se recusou a ceder a Secretaria de Habitação ao PP.

Oficialmente, os tucanos dão por encerradas as negociações com o PP e afirmam que não pretendem entrar em um "leilão" em troca do apoio. A cúpula tucana afirma que ainda não foi informada por Maluf sobre sua aliança com os petistas.

"Ele pode ter discordado do fato de não termos atendido o pleito dele, mas ele foi tratado com muita cortesia pelo governador e pelo Serra", disse um tucano, contrariado pelo silêncio de Maluf em dizer qual será sua posição na eleição paulistana.

A convenção em que o PP vai oficializar a coligação com o PT está marcada para 25 de junho.

O afastamento entre o PP e o PSDB deve se refletir também na eleição de Ribeirão Preto. Correligionários de Maluf afirmam que o presidente do partido também desistiu de apoiar a candidatura do deputado tucano Duarte Nogueira à prefeitura do município. O PP agora deve aderir à campanha para a reeleição da prefeita Dárcy Vera (PSD).

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