Agência Senado/Divulgação
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PP reconduz envolvido na Lava Jato à presidência do partido

Ciro Nogueira Nogueira é um dos 30 parlamentares da sigla investigados por suposto esquema de arrecadação de propinas oriundas de contratos firmados entre empreiteiras e a Petrobrás

Daniel Carvalho , O Estado de S. Paulo

14 Abril 2015 | 12h37

BRASÍLIA - Partido com maior envolvidos na Operação Lava Jato, o PP decidiu nesta terça-feira, 14, reconduzir o senador Ciro Nogueira (PI) à presidência nacional da legenda. Nogueira é um dos 30 progressistas investigados por suposto esquema de arrecadação de propinas oriundas de contratos firmados entre empreiteiras e a Petrobrás. Ao todo, são investigados três de seus cinco senadores (60%), 18 dos 40 deputados do partido (45%), oito ex-deputados e o vice-governador da Bahia, João Leão. O partido aprovou ainda o afastamento das funções partidárias de quem for condenado por participação no esquema.



"A resposta que tenho que dar é trabalhar. Estou confiante nas palavras do próprio procurador (procurador-geral da República, Rodrigo Janot), de que vai pagar quem for culpado, e do ministro Teori (Teori Zavascki, ministro do Supremo Tribunal Federal), de que quem é investigado não é culpado", afirmou Nogueira, que precisou aprovar uma alteração no estatuto do partido para permitir sua reeleição.


A recondução de Nogueira foi alvo de críticas de progressistas como Paulo Maluf (SP), que em entrevista ao Estado em março último disse que o presidente reeleito havia perdido "condições morais" para conduzir o partido.


Progressistas do Sul ensaiaram lançar a candidatura da senadora Ana Amélia (RS), que não tem envolvimento na Lava Jato, à presidência do partido, mas calcularam que teriam apenas cerca de dez votos. Para marcar posição, apresentaram moção pedindo o afastamento das funções partidárias de quem venha a ser denunciado por envolvimento no esquema de corrupção. Ao final, foi aprovada proposta do deputado Ricardo Barros (PR), que determina o afastamento apenas em caso de condenação.


"Estamos com nossa imagem sofrendo um enorme desgaste. Precisamos buscar juntos reconstruir essa imagem. Precisamos fazer a nossa parte, dar uma resposta à sociedade, àqueles que vão às ruas combater a corrupção e pedir ética na política", afirmou o presidente do PP-RS, Celso Bernardi, autor da primeira proposta, que foi descartada. "Esta proposta é, antes de tudo, um reforço para preservar o patrimônio da instituição partidária". O ex-deputado disse que o PP está envolvido em todos os últimos grandes esquemas de corrupção, citando Mensalão, Lava Jato e Zelotes. "O partido não pode ter compromisso com erros individuais, nem ser guardião com desvios de conduta e malfeitos", afirmou.


A proposta inicial contou com apoio do deputado Esperidião Amin (SC). "Nossos companheiros não são protagonistas neste caso. Nosso partido é vítima. Vítima de um mecanismo que alcançou nosso partido. Esconder isso é como imitar avestruz que esconde sua cabeça esperando que ninguém vai percebê-lo", afirmou. "Não estou querendo agradar. Estou querendo mostrar que há um caminho de dignidade mesmo na turbulência", afirmou Amin.


Investigado na Lava Jato, o deputado e ex-ministro Aguinaldo Ribeiro (PB) foi contrário à proposta. "Se um deputado não serve para exercer cargo no partido, também não serve para estar no Congresso Nacional representando o povo", afirmou. "Não vamos fazer proselitismo político para fazer injustiça com quem quer que seja", disse


O envolvimento do PP com o esquema de corrupção dominou os discursos durante a manhã. "Talvez estejamos atravessando o momento mais difícil do nosso partido", afirmou o deputado investigado Eduardo da Fonte (PE), líder da bancada do partido na Câmara. Famoso ao dizer que estava "cagando e andando na cabeça desses cornos" ao repercutir a inclusão de seu nome na lista de investigados, o vice-governador da Bahia, João Leão, disse confiar em seus pares. "Não vamos querer esconder absolutamente nada. Temos certeza de que a maioria absoluta deste partido olha as pessoas no olho e diz 'eu sou progressista, eu sou do Partido Progressista'. Tenho confiança em todos os senhores", afirmou.


Alguns progressistas declararam apoio a Ciro Nogueira. "Esta crise paira não só sobre nosso partido. Esta crise é nacional", afirmou o deputado Waldir Maranhão (MA), 1º Vice-Presidente da Câmara dos Deputados. Segundo Maranhão, apesar dos "desencontros e desencantos", "mais do que juntos, estamos unidos". "Reintegra-se o meu integral apoio à sua presidência", disse Francisco Dornelles, presidente do PP-RJ e que comandava o partido em 2010, ano em que, segundo as delações premiadas, foram recebidas doações ilegais.


Propostas. Durante a reunião, os progressistas também aprovaram a defesa de temas como redução da maioridade penal, redução carga tributária, fim das coligações proporcionais, aumento da pena para crimes de corrupção, garantia do direito dos trabalhadores, medidas para volta do crescimento econômico, pacto federativo e fim de reeleição para cargos do Executivo.

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