PP quer mais que cargos: quer ministério

A adesão do PP ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva não inclui ministérios agora, mas o partido vai querer integrar o primeiro escalão. "O presidente Lula tem sido claro ao dizer que a reforma ministerial só acontecerá no final do ano. Quando houver reforma, vamos pedir ministério", afirmou o presidente do partido, Pedro Corrêa (PE). Com o PP, o governo mantém sua estratégia de conseguir uma base folgada na Câmara para as votações das reformas da previdência e tributária, que exigem pelo menos 308 votos (três quintos). Com o PP e com o PMDB, que ainda discute a adesão ao governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva terá uma base numérica de 369. O governo, no entanto, reconhece que há dissidências. Em cada um desses partidos há pelo menos 15 deputados que são contrários ao governo e não ficarão alinhados às decisões do Palácio do Planalto. O PP tem atualmente 46 deputados. Segundo Pedro Corrêa, os deputados que têm posição contrária ao governo serão respeitados. O deputado Ricardo Barros (PP-PR), contrário à entrada do partido na base, afirmou que está fazendo uma pesquisa na bancada e que os resultados até agora mostram que a maioria dos deputados defende a permanência do PP na posição de independente. "A maioria quer ser governo, tem cargos no governo, mas não quer o partido na base aliada porque entende que haverá conseqüências para o tamanho da bancada", disse Barros, que foi vice-líder do governo do presidente Fernando Henrique Cardoso.Pedro Corrêa confirmou à Agência Estado que o partido vai formalizar a entrada na base aliada dentro dos próximos oito ou dez dias em reunião da Executiva. "Nós apoiamos o governo e não tem mais volta. Vamos fazer um ato para marcar a posição com a reunião", afirmou. O dirigente do PP disse que a posição partidária já foi comunicada ao ministro da Casa Civil, José Dirceu, ao presidente do PT, José Genoino, ao líder do governo na Câmara, Aldo Rebelo (PC do B-SP), e ao presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP).

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