Luis Macedo | Câmara dos Deputados
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PP pretende seguir com processo de expulsão de Maranhão

Depois das reações contrárias, Waldir Maranhão decidiu revogar no início da madrugada desta terça-feira o ato assinado por ele próprio na manhã anterior em que tinha anulado a sessão do impeachment

Igor Gadelha, O Estado de S.Paulo

10 de maio de 2016 | 08h01

Brasília - A Executiva Nacional do PP pretende manter a decisão de aprovar na tarde desta terça-feira a suspensão cautelar (temporária) do presidente interino da Casa, Waldir Maranhão (PP-MA), mesmo após o deputado ter revogado ato em que anulou a sessão na qual a Câmara aprovou o impeachment da presidente Dilma Rousseff.  

Da mesma forma, a bancada do PP na Câmara  também não deve voltar atrás da decisão de fechar questão a favor da expulsão definitiva do parlamentar maranhense da sigla. De acordo com o líder da legenda na Casa, deputado Aguinaldo Ribeiro (PB), a reunião em que a questão será definida está mantida para 10 horas desta terça-feira. 

Depois das reações contrárias a ele anunciadas ao longo dessa segunda-feira, 9, Waldir Maranhão decidiu revogar no início da madrugada desta terça-feira o ato assinado por ele próprio na manhã anterior em que tinha anulado a sessão do impeachment na Câmara. No ato de revogação, ele não apresentou nenhuma justificativa para a decisão. 

Deputados da cúpula do PP ouvidos pelo Broadcast Político classificaram a atitude de Maranhão como "palhaçada" e dizem que, mesmo com a revogação, a permanência dele no partido se tornou insustentável. Segundo parlamentares, o presidente interino tentou procurar a cúpula da sigla ontem para pedir que seu processo de expulsão fosse interrompido. Sem sucesso.

O pedido de afastamento cautelar de Maranhão foi solicitado nessa segunda-feira, 9, pelo deputado Júlio Lopes (PP-RJ) junto com o pedido de expulsão definitiva, após o parlamentar maranhense acatar recurso da Advocacia-Geral da União (AGU) e anular a sessão da Câmara que aprovou a abertura do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. 

No pedido, Júlio Lopes solicita a expulsão definitiva Maranhão usando como argumento o fato de ele ter votado contra o impeachment da presidente Dilma na Câmara, contrariando decisão interna do partido. O PP tinha fechado questão a favor do impedimento da petista, o que permite punição para os parlamentares dissidentes. 

O parlamentar fluminense pede que, enquanto o processo expulsão definitiva não é analisado, a Executiva Nacional suspenda Maranhão temporariamente do partido. O pedido cautelar foi uma saída encontrada pelos deputados do PP para afastar o presidente interino da Câmara da sigla mais rapidamente, uma vez que a expulsão definitiva levará um tempo maior.

Maranhão já tinha sofrido uma punição por ter votado contra o impeachment na Câmara. Ele foi destituído da presidência do diretório regional do PP em seu Estado. No lugar dele, o presidente nacional da sigla, senador Ciro Nogueira (PI), nomeou presidente o deputado federal André Fufuca, que se filou à legenda recentemente, após deixar o PEN.

Cargo. Logo após a suspensão cautelar de Maranhão, a cúpula do PP pretende pedir a perda imediata do cargo dele de 1º vice-presidente da Câmara dos Deputados. Na interpretação de parlamentares do partido, embora Maranhão tenha sido eleito para o cargo, o posto pertence ao partido. A decisão, contudo, poderá ser contestada.Segundo o 1º secretário da Câmara, deputado Beto Mansur (PRB-SP), o pedido de perda do cargo só caberia se o presidente interino tivesse deixado o partido por vontade própria. Além disso, na Casa já há precedentes: o deputado Felipe Bornier (RJ) continuou como 2º secretário mesmo após migrar do PSD para o PROS por vontade própria

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