PP oficializa Russomanno, que ataca o PSDB

Apesar de o seu partido integrar base tucana no Estado, candidato diz que vai mostrar o que chama de 'burrice gerencial'

Moacir Assunção e Gabriel Manzano, O Estado de S.Paulo

21 de junho de 2010 | 09h10

Pré-candidato do PP de Paulo Maluf ao governo do Estado, o deputado federal Celso Russomanno vai enfrentar nesta disputa duas candidaturas de peso, que representam, respectivamente, o governo estadual e o federal: o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), que tem liderado com folga as últimas pesquisas de intenção de voto, e o senador Aloizio Mercadante (PT), que aparece em segundo.

 

Diante de adversários tão poderosos, com enormes coligações, ele tem a mostrar apenas conversas com partidos nanicos como o PHS e o PTC, mas garante que vai ao confronto. O PP realiza hoje a convenção para oficializar o nome de Russomanno.

 

Apesar de o seu partido integrar a base de apoio do PSDB na Assembleia Legislativa, afirma que vai mostrar o que chama de "burrice gerencial" dos tucanos, há 16 anos à frente do Estado, principalmente nas áreas de segurança pública, educação e saúde, temas que pretende atacar.

 

"Há duas candidaturas fortes, reconheço. Ambas contam com a máquina federal e estadual, o que atrai recursos e coligações. Entretanto, se eles são o pão do sanduíche, eu sou o recheio, portanto o melhor para São Paulo. Sou o novo e tratarei de forma diferente dos problemas que nos atingem, colocando temas que jamais foram discutidos em campanhas", afirmou.

 

Ele diz que o PP caminha para a neutralidade entre as candidaturas de Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB), com liberdade de ação para os Estados. "Em São Paulo, tenho aparecido bem nas pesquisas, o que nos deixa animados." Nas eleições de 2008, Russomanno tentou sair para prefeito, mas houve uma disputa judicial com o presidente do partido, o deputado Paulo Maluf, que acabou sendo o candidato. Mas o deputado diz que as feridas estão cicatrizadas.

 

"As feridas cicatrizaram, senão seria um problema sério. Tivemos problemas no passado, não por questões ideológicas, mas de espaço político no partido. Hoje, Maluf é um entusiasta da minha campanha, com a qual está muito animado", disse ele.

 

Aliança. No Estado, o PP integra a base do PSDB, mas Russomanno não vê conflitos em tratar de temas sensíveis aos tucanos, como saúde, segurança e educação. "Não citarei pessoas, mas vou mostrar os problemas. Nestas áreas há muitas coisas a serem contestadas", afirmou. "Não se investe em medicina preventiva e, em consequência, lotamos hospitais, pagando duas vezes pelo mesmo serviço. Gastamos muito e mal com saúde, somente preocupados em tratar doenças em vez de montar equipes do Programa Saúde da Família, por exemplo, para trabalhar com a prevenção."

 

O deputado também dispara contra a educação. "Sou contra a progressão continuada, que vejo como uma forma de aumentar vagas, sem construir escolas. Isso tira totalmente a autoridade do professor e o estímulo para os bons alunos. Também não concordo com a política de oferecer bônus, que não se incorporam ao salário dos professores."

 

Outra área que será alvo das críticas de Russomanno é a segurança pública. "A polícia de São Paulo é a que pior paga no Brasil e, por causa dos baixos salários, o policial é obrigado a fazer bicos para complementar a renda. No ano passado, morreram 200 policiais no trabalho extra."

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