PP fica fora de alianças formais

Sigla fará evento para declarar apoio a Dilma, mas tempo na TV não irá para nenhum presidenciável

Marcelo de Moraes / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

23 de junho de 2010 | 08h50

Último partido a definir seu destino na corrida presidencial, o PP decidiu que não se coligará formalmente com PT ou PSDB nesta disputa. Apesar de integrar a base de apoio do presidente Lula e controlar o poderoso Ministério das Cidades, o partido não obteve consenso entre seus diretórios para fechar aliança em torno da petista Dilma Rousseff.

 

Para atenuar o problema, a legenda vai declarar seu apoio político à campanha da candidata do PT com a realização de um evento partidário nacional a seu favor, já que a maioria dos diretórios estaduais prefere se aliar a ela. O gesto, na prática, não serve para repassar a Dilma o tempo de propaganda eleitoral na televisão (1 minuto e 38 segundos), que não irá para nenhum candidato.

 

"A diferença do apoio que daremos a Dilma para uma coligação formal é muito pequena. Isso se resume apenas ao tempo de televisão que ela não terá. Mas o mais importante é o compromisso que o partido assumirá de mobilizar suas bases para tornar vitoriosa a campanha de Dilma", afirma o ministro das Cidades, Márcio Fortes, um dos principais aliados da petista dentro do partido.

 

A campanha do tucano José Serra também disputava o apoio do PP e chegou a oferecer a vaga de vice na chapa para o senador Francisco Dornelles (RJ), presidente da legenda. A proposta interessava principalmente aos diretórios do PP em Minas e na Região Sul, bastante influentes dentro da legenda e mais alinhados politicamente com a candidatura tucana.

 

Na avaliação da cúpula do PSDB, isso também serviria para aumentar a ligação de Serra com o ex-governador de Minas Aécio Neves, nome preferido para ocupar a vaga de vice, mas que não aceitou o posto. Como Dornelles é primo de Aécio, sua presença na chapa serviria para passar a imagem de maior proximidade entre Serra e o ex-governador mineiro.

 

Apesar de não terem obtido sucesso no assédio ao PP, os aliados de Serra consideraram um bom resultado o fato de o PT também não fechar essa aliança formalmente.

 

"O PP é um partido da base do governo, tem um ministério importante e, mesmo assim, decidiu ficar fora da coligação e não deu o tempo de televisão para Dilma. Para nós, que somos da oposição, foi lucro. Porque a gente já não tinha esse apoio e continuou sem ele. Mas o governo perdeu um aliado em potencial", afirmou o presidente nacional do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), aliado do tucano.

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