Foto: Lia de Paula|Divulgação
Foto: Lia de Paula|Divulgação

PP fecha questão pró-impeachment, mas sinaliza tolerância com alguns dissidentes

Segundo o presidente da sigla, Ciro Nogueira, punição será avaliada 'caso a caso'

Igor Gadelha, O Estado de S.Paulo

15 de abril de 2016 | 19h06

BRASÍLIA - Após reunião da bancada do Congresso e da Executiva Nacional, o PP confirmou nesta sexta-feira, 15, o fechamento de questão a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff e a promessa de punição aos parlamentares que não seguirem a determinação da legenda.

A decisão foi aprovada por aclamação (sem registro de votos), mas foram "ressalvados" votos contrários ao fechamento de questão de alguns membros do partido da Bahia, Piauí e Ceará, entre eles, o vice-governador baiano, João Leão, e os deputados Cacá Leão (BA) e Adail Carneiro (CE).

O presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), afirmou que o fechamento de questão valerá tanto para a votação na Câmara quanto para eventual votação no Senado. Ele ponderou, contudo, que a punição será avaliada "caso a caso", sinalizando que poderá haver tolerância em alguns casos.

O tom de tolerância também foi adotado por alguns parlamentares da ala pró-impeachment. O deputado Jerônimo Goergen (RS) afirmou que os parlamentares representarão no Conselho de Ética contra todos os dissidentes, mas ponderou que poderá haver "certa tolerância" em casos como o da Bahia.

Na reunião, o vice-governador da Bahia fez a defesa para que os quatro deputados do PP da Bahia não sejam punidos, caso confirmem o voto contra o impeachment, por causa da aliança regional. João Leão é aliado do governador baiano, Rui Costa (PT).

Filho do vice-governador, o deputado Cacá Leão afirmou que os quatro deputados baianos se reunirão até domingo para decidir se vão manter o voto contrário ao impedimento de Dilma. "A reunião foi mais dura do que imaginava. Vamos avaliar e ponderar essa possibilidade de punição para decidir", disse.

Parlamentares da ala pró-impeachment do PP afirmaram que a cúpula do partido não deve ter qualquer tolerância com os deputados Dudu da Fonte (PE) e Waldir Maranhão (MA), primeiro vice-presidente da Câmara. Ambos não participaram da reunião desta sexta.

Como o Estado mostrou mais cedo, Maranhão, que até então se declarava a favor do impeachment, mudou de opinião e anunciou que votará contra, o que irritou a legenda. Já Dudu irritou a cúpula do partido ao voltar a negociar cargos no varejo com o Palácio do Planalto, mesmo após o PP desembarcar do governo.

Dudu articulou na quarta-feira, 13, a nomeação de José Rodrigues Pinheiro Dória para substituir Gilberto Occhi no comando do Ministério da Integração. Horas após ter sua nomeação publicada no Diário Oficial da União, Dória declinou do cargo.

A atitude de Dudu levou a direção e a ala pró-impeachment do PP a articular durante toda essa quinta-feira, 14 o fechamento de questão. A decisão só foi anunciada nesta sexta porque, pelo estatuto da sigla, o fechamento deve ser aprovado tanto pela bancada do Congresso quanto pela Executiva

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