PP e PMDB rompem com chefe da Casa Civil do RS

A conversa do chefe da Casa Civil, Cézar Busatto, com o vice-governador do Rio Grande do Sul, Paulo Feijó, deu munição à oposição e também provocou rupturas entre os apoiadores do governo de Yeda Crusius. Como num trecho do diálogo Busatto dá a entender que o PP e o PMDB se financiam no Departamento Estadual de Trânsito (Detran) e no Banco do Estado do Rio Grande do Sul (Banrisul), as duas siglas reagiram com comunicados em que informam romper com o chefe da Casa Civil. Busatto se diz vítima no episódio.De Brasília, o senador e presidente do PMDB no Rio Grande do Sul, Pedro Simon, refutou as acusações de Busatto e anunciou que a assessoria jurídica do partido vai interpelar o chefe da Casa Civil e o vice-governador Feijó para que apontem "por quem, quando e quanto foi recebido em nome do PMDB, e quem do Banrisul pagou". Com as informações, Simon promete subsidiar ações civis e criminais a serem propostas contra eles. Em Porto Alegre, o presidente estadual do PP, Jerônimo Goergen, afirmou que não reconhece mais Busatto como interlocutor político.Em resposta à divulgação da conversa, Busatto declarou que o vice-governador é "mau-caráter" e o acusou de "golpista", que quer o cargo de Yeda. Busatto disse sentir-se vítima de uma "tocaia" e afirmou que foi mal interpretado nas referências que fez, no diálogo, a financiamentos de partidos com uso de estatais e autarquias. Ao abordar o financiamento de campanhas, ele alegou que se referia aos cargos ocupados em uma administração. Segundo seu raciocínio, ele estaria comentando sobre como "os cargos dessas instituições são repartidos e como isso se transforma, através desses cargos, em fontes de financiamento". Conforme Busatto, o vice-governador falava "treinadamente" na conversa, "com as frases previamente preparadas". Ele também alegou que o vice-governador falou na existência de "quadrilhas" em órgãos públicos desde 2003, mas não denunciou os casos anteriormente. "Por que agora tudo em cima da governadora Yeda?", questionou Busatto.Assédio moralO vice-governador divulgou uma nota em que afirma que na conversa com Busatto sofreu forte assédio moral para se manter calado e para se adaptar a um sistema que aos olhos de todos os gaúchos de bem é imoral e insustentável. "Não estou disposto a abrir mão de minhas convicções e do meu idealismo para corroborar com o que me foi apresentado", afirmou.

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