PP desiste de indicar para CPI filho de político investigado

Partido fez a segunda substituição da comissão em dois dias

Daiene Cardoso e Daniel Carvalho, O Estado de S. Paulo

11 de março de 2015 | 19h53

Brasília - Um dia após ter indicado o deputado Covatti Filho (RS) para substituir Lázaro Botelho (TO) na CPI da Petrobrás, o PP decidiu nesta quarta-feira, 11, trocá-lo por Fernando Monteiro (PE). Covatti é filho do ex-deputado federal Vilson Covatti (RS), que, assim como Botelho, figura na lista de políticos investigados no Supremo Tribunal Federal por suspeita de participação no esquema de corrupção na Petrobrás.

Covatti foi compensado com a suplência do Conselho de Ética. Na terça, pressionado para retirar investigados na Operação Lava Jato de postos-chave na Câmara, o PP substituiu na CPI Botelho e Sandes Júnior (GO), também sob investigação, pelos deputados Covatti Filho e Beto Rosado (RN). Nesta quarta o PP formalizou no Conselho de Ética a troca de Botelho.

Monteiro recebeu de empreiteiras investigadas na Lava Jato R$ 230 mil em doações diretas e indiretas para sua campanha de 2014. Segundo a prestação de contas do deputado entregue ao Tribunal Superior Eleitoral, ele recebeu em doações diretas R$ 100 mil da Galvão Engenharia e R$ 30 mil da Odebrecht. Da Andrade Gutierrez, foram R$ 100 mil repassados por meio da direção nacional do PP. 

Levantamento do Estado indica que ao menos 12 titulares da CPI receberam doações de empreiteiras. A questão foi motivo de protesto do PSOL na primeira sessão da comissão. Na prestação de contas de Beto Rosado não aparecem empreiteiras investigadas.

Monteiro disse que o fato de ter recebido doações de empreiteiras investigadas não afeta sua isenção. “Vou fazer meu trabalho com lisura. Eu receber ou não (doações) não muda meu comportamento. Se a CPI é para investigar, vamos investigar.”
 
A CPI vai ouvir nesta quinta o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), incluído na lista de investigados, e o ex-presidente da Petrobrás José Sergio Gabrielli. 

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