Powell ouve Aquarela do Brasil e relembra sua juventude

O secretário de Estado norte-americano Collin Powell visitou em São Paulo a sede do projeto Meninos do Morumbi, programa de inclusão social voltado para educação de menores provenientes de famílias de baixa renda. O secretário ficou visivelmente alegre ao entrar na sala em que 130 crianças e jovens entre 11 e 16 anos o esperavam para tocar, cantar e dançar "Aquarela do Brasil". Ao final da apresentação, falou que a música o lembrou do seu tempo de juventude em Nova York .Depois, em outra sala, sentou-se com 24 crianças atendidas pelo projeto para conversar e continuou falando de música. "Sou filho de imigrantes jamaicanos e a música brasileira influenciou muito e foi muito influenciada pela jamaicana."Durante os vinte minutos da conversa, Powell também respondeu a cinco perguntas, uma delas de Ellen do Nascimento Laureno, de 16 anos. "O que o senhor acha do Protocolo de Kyoto?." "Como vocês sabem não apoiamos o protocolo. Não porque não achemos que não haja aquecimento global, mas por acharmos que Kyoto não é a melhor forma de resolver o problema. Estamos estudando cientificamente a situação e tentando diminuir a emissão dos gases nocivos ao planeta", respondeu.Antes de ser nomeado secretário de Estado, Powell foi general do exército americano e também trabalhou com jovens. "Ajudei a montar muitas salas como esta", disse ele se referindo à Garagem Digital, projeto de inclusão digital criado pelo Meninos do Morumbi junto com a empresa americana HP.Powell também incentivou os jovens a lutar pelo que querem. "Há 50 anos, estava sentado numa sala como essa e também não sabia o que iria fazer. Há 30 anos seria impossível pensar que haveria um negro secretário de Estado nos Estados Unidos ", comentou.O preconceito racial foi outra das perguntas, feita por Felipe Marcos de Porto Pereira, de 16 anos. "Uma vez um chefe me disse que eu era o melhor tenente negro que ele já havia conhecido. Agradeci e pensei comigo mesmo que seria o melhor tenente que ele jamais havia visto", revelou. "Moral da história. Qualquer que seja sua profissão, faça tudo bem. Seja o melhor na sua especialidade. Depois veja o que acontece".O projeto Meninos do Morumbi atende 5600 estudantes carentes entre 5 e 18 anos, dando aulas gratuitas de música, dança, inglês, teatro, moda, escultura, computação e outras atividades ligadas à esporte e artes.

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