Clayton de Souza/AE
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Povo não precisa de carro de som, afirma representante do Movimento Passe Livre

No Dia Nacional de Lutas, organizado por sindicalistas, integrante do movimento que parou São Paulo em junho chama centrais de 'entidades burocratas'

Ricardo Chapola - O Estado de S. Paulo,

11 de julho de 2013 | 23h23

“O povo não precisa de nenhuma cartilha, de ninguém falando alto no microfone para dizer o que ele tem que fazer ou não”, disse Mayara Vivian, do Movimento Passe Livre, em referência aos carros de som e às bandeiras usadas pelas centrais sindicais.

Nesta quinta-feira, 11, dia em que as centrais organizaram protestos em todo o País, o MPL aproveitou a manifestação em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, para reforçar a bandeira da gratuidade da passagem do transporte público.

O protesto teve a adesão de cerca de 2.500 sindicalistas, segundo cálculo da Polícia Militar. Antes de se concentrarem na em frente ao paço da cidade, os manifestantes fizeram uma marcha que interditou um trecho da rodovia Anchieta.

Entre os participantes, 200 eram do MPL. Enquanto discursos eram feitos no carro de som dos trabalhadores, o movimento social que luta pela gratuidade de passagens de ônibus batia bumbos. O “isolamento” ilustrava as diferenças de agenda e de organização dos dois movimentos presentes no ato.

No dia 26 de junho, quando os sindicalistas se reuniram para organizar o Dia Nacional de Lutas, representantes das principais centrais sindicais do País ironizaram os manifestantes que foram às ruas contra o aumento da tarifa dos transportes públicos nos dias anteriores.

No encontro do mês passado, um dos representantes disse com o microfone aberto da plenária que “a internet não decide quando vai se fazer greve”. Era uma crítica ao modelo sem líderes que o MPL adotou para massificar os protestos de junho.

“Eu queria perguntar para os companheiros quando eles colocaram 30 mil pessoas nas ruas dessa forma dinâmica, autônoma, com todas as pessoas apoiando”, afirmou Mayara Vivian, ainda se referindo aos sindicalistas.

O Movimento Passe Livre condena modelos “verticais” de organização e luta apenas pela gratuidade da passagem de ônibus e metrô – ou seja, protestos com hierarquias.

“Toda liderança é corruptível na visão do movimento. O povo não precisa de liderança, o povo não precisa de entidades burocratas”, completou Mayara, ainda em referência às manifestações realizadas em junho.

O modelo de organização do Movimento Passe Livre é classificado como “horizontal”. E apesar dos protestos de junho terem se voltado “contra tudo”, o MPL diz que seu objetivo central sempre é a passagem de ônibus.

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