Povo fura o cerco e entra no cortejo de Covas

De nada adiantou a intenção do cerimonial do Palácio dos Bandeirantes e da Polícia Militar de manter o povo afastado do cortejo fúnebre de Mário Covas. Durante o percurso entre a Rua Amador Bueno e o Cemitério do Paquetá, milhares de pessoas aplaudiam o governador e logo depois furavam a faixa de isolamento. Assim, Covas chegou até a esquina do cemitério ladeado por gente simples, enquanto as autoridades vinham atrás.No primeiro desses veículos estava dona Lila Covas. Janelas abertas, ela era saudada e alguns até conseguiram apertar suas mãos, em solidariedade. Foi o caso de Eliza Cássia dos Santos, que estava emocionada com o feito. "Dona Lila foi muito atenciosa". Ao seu lado, Nilton Moura dos Santos também não escondia a emoção: "Ela foi maravilhosa".Esperando a chegada do cortejo, na porta do Cemitério do Paquetá, a doméstica Aline Lima comentava a sorte de estar de folga. "Vim do Guarujá para ver a saída dele do mundo da gente para o mundo de Deus e que lá de cima ele ajude o nosso presidente a governar o Brasil". Já a dona de casa Aida Morgado revelava sua tristeza. "Foi uma perda irreparável, Covas foi um político muito honesto e eu não podia deixar de dar o último adeus".Na última passagem de Covas pelas ruas do decadente centro santista, elas estavam supreendentemente limpas. Nos postes, faixas saudavam o governador, algumas ligando-o à sua paixão pelo Santos Futebol Clube: "Coutinho, Covas, Pelé e Pepe, gol do Brasil em qualquer lugar". Outra colocava o governador como exemplo: "Covas: uma estrela para guiar o Brasil". Às 13 horas, poucas lojas continuavam abertas e os comerciários seguiam para ver a passagem do cortejo pela Avenida São Francisco. Segundo cálculos da PM, mais de 5 mil santistas saíram às ruas para se despedir do ilustre conterrâneo.

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