Postura do Brasil é 'inaceitável', diz chanceler italiano

Frattini afirma que esperava 'reflexão mais aprofundada' sobre arquivamento da extradição de Cesare Battisti

Da Redação,

27 de janeiro de 2009 | 12h36

O ministro das Relações Exteriores da Itália, Franco Frattini, afirmou nesta terça-feira, 27, que "é muito grave" e "inaceitável" a decisão do procurador-geral brasileiro Antonio Fernando de Souza de sugerir o arquivamento do processo de extradição do italiano Cesare Battisti.  Veja também:Itália convoca embaixador no Brasil de volta após caso BattistiEm meio a caso Battisti, Itália quer cancelar amistoso com BrasilProcurador-geral recomenda encerrar processo contra Battisti TV Estadão: Ideologia não influenciou concessão de refúgio, diz Tarso   Documento: Processo do Ministério Público que defere extradição de Battisti    Opine: Você concorda com o refúgio dado a Cesare Battisti? Leia tudo o que já foi publicado sobre o caso e entenda o processo  "Esperávamos uma reflexão mais aprofundada", disse Frattini, segundo a agência de notícias Ansa, sobre a resposta do procurador, que recomendou na segunda-feira ao Supremo Tribunal Federal (STF) que arquivasse o pedido de extradição de Battisti.  Na última sexta-feira passada, o governo italiano solicitou ao STF vista do processo de extradição do ex-ativista italiano e o direito de se manifestar na ação. "A resposta saiu em apenas 48 horas sem objetivamente ter uma avaliação com a profundidade que esperávamos. Nos parece que simplesmente acataram a decisão política do ministro da Justiça brasileiro", Tarso Genro, disse Frattini.  O chanceler afirmou que o embaixador italiano no Brasil, Michele Valensise, foi chamado para de volta à Itália devido à gravidade da situação. "Quero discutir com ele quais serão as novas diretrizes", afirmou.  Frattini demonstrou sua insatisfação com o Brasil, considerado "um grande amigo da Itália". "Não esperávamos que fizessem algo tão grave", disse, segundo a Ansa. "Battisti é um terrorista e não merece o status de refugiado político."  Battisti, ex-militante da organização Proletários Armados pelo Comunismo (PAC), foi condenado à prisão perpétua na Itália por quatro homicídios cometidos na década de 70. Ele foi detido no Rio de Janeiro em março de 2007.

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