Postura de Lula favorece Renan, diz Heloísa Helena

PSOL, partido que representou contra o senador, realiza protesto contra a 'corrupção e impunidade'

Sandra Hahn, da Agência Estado,

10 de agosto de 2007 | 14h46

A presidente nacional do PSOL, Heloísa Helena, afirmou na tarde desta sexta-feira, 10, que o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), se vê fortalecido pela "postura inconseqüente do presidente Lula em lhe devolver o serviço sujo que ele prestou no passado para acobertar os crimes contra a administração pública do governo".  Renan responde a processo no Conselho de Ética do Senado sob a acusação de ter despesas pessoais pagas por um lobista. Outras acusações recaem sobre o senador: uso de "laranjas" na compra de rádios e fazendas em Alagoas, favorecimento à cervejaria Schincariol em troca de negócio com a família Calheiros. Esta semana outra representação foi encaminhada ao conselho no caso Schin e o corregedor da Casa, Romeu Tuma (DEM), anunciou na última quinta-feira que irá apurar se as rádios são de fato do senador. Na avaliação da ex-senadora por Alagoas, há uma combinação de duas máquinas para bloquear as investigações das denúncias contra Renan: "a base bajulatória do Congresso Nacional e o balcão de negócios sujos distribuindo cargos, prestígio e poder do governo federal". Ela defendeu que somente a fiscalização da sociedade e dos meios de comunicação irá assegurar punições, pois "a capacidade auditiva do Congresso e do mundo da política é diretamente proporcional" a estas pressões.  A ex-senadora também comentou os ataques que recebeu de Renan. O senador chamou de "derrotados rancorosos" Heloísa Helena e o ex-deputado João Lyra (PTB-AL). "Em vez de responder às denúncias graves contra ele", reproduziu Heloisa Helena, "disse que eu estou fazendo calúnias porque quero aparecer na mídia nacional". Para a presidente do PSOL, Renan "está nesta tática porque, eu sei, que o desespero deve estar muito grande". Protesto O PSOL realizou um protesto na Esquina Democrática, ponto tradicional de manifestações políticas no centro da capital gaúcha, contra a "corrupção, o caos aéreo e a impunidade". Em discurso, Heloisa Helena criticou a proposta de prorrogar a CPMF - chamado de 'imposto do cheque' - e a desvinculação de receitas da União.  Ela afirmou que a DRU permite ao governo "saquear livremente o dinheiro da saúde, da educação, da Previdência e da segurança pública". Heloisa Helena disse ainda que o governo já tinha um diagnóstico das ações para solucionar a crise aérea em novembro do ano passado. O pai do piloto Henrique Stephannini di Sacco, que morreu no acidente do vôo 3054 da TAM, Raphael Di Sacco, participou do protesto do PSOL. Ele disse que este foi o primeiro ato do qual participou, pois também foi o primeiro que lhe deu espaço. Di Sacco, de 82 anos, mora em São Paulo e viajou a Porto Alegre para o ato. Ele pediu que nenhuma linha de investigação seja descartada e sugeriu uma acareação entre os representantes da Airbus, fabricante do avião, e as autoridades de segurança. Para ele, após a reabertura sem as ranhuras (grooving), a pista do Aeroporto de Congonhas se tornou "um tobogã".  

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.