ANÁLISE: Postura contrasta com estilo de FHC e lembra Mario Covas

Seja por razões de estilo, geracionais ou estratégicas, esses tradicionais líderes tucanos não são dados a arroubos públicos

Alberto Bombig, O Estado de S.Paulo

29 Março 2017 | 23h19

Depois da morte de Mario Covas (1930-2001) o sangue que corre nas veias tucanas ficou mais gelado. O Espanhol, como Covas era conhecido, não gostava de levar desaforo para casa e diversas vezes bateu boca com manifestantes, adversários políticos, colegas de partido e jornalistas.

Autêntica ou meramente teatral, a resposta do prefeito de São Paulo, João Doria, a um manifestante que o chamou de “golpista” nesta quarta-feira, 29, contrasta com as posturas históricas do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, dos senadores José Serra e Aécio Neves e do governador Geraldo Alckmin. Seja por razões de estilo, geracionais ou estratégicas, esses tradicionais líderes tucanos não são dados a arroubos públicos.

Em seu mais recente volume dos Diários da Presidência (Companhia das Letras), por exemplo, FHC reclama da falta de diálogo por parte do PT durante o fim de seu mandato, nos anos 1990. Mas quem disse que o PT queria dialogar com FHC? Por aqueles tempos, José Dirceu pregou que os adversários dos petistas tinham de apanhar “nas ruas e nas urnas”. Covas não se intimidou e tentou atravessar o acampamento de professores em greve. Foi empurrado, insultado e atingido, num episódio já histórico.

É cedo para saber se a estratégia de Doria de adotar o “bateu, levou” surtirá efeitos eleitorais ou ampliará sua rejeição. É possível, no entanto, afirmar que ele deixou claro estar disposto a manter quente o sangue das veias tucanas e, com isso, atender aos anseios de uma parcela expressiva do eleitorado, insatisfeita com a postura quase olímpica dos tradicionais líderes do PSDB.

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