Ed Ferreira/Estadão
Ed Ferreira/Estadão

Post de petista gera enxurrada de cobrança de dívida

Após Agnelo Queiroz pedir votos para Dilma Rousseff; cabos eleitorais cobrando pagamentos por trabalhos na campanha

FÁBIO BRANDT, O Estado de S. Paulo

15 de outubro de 2014 | 20h43

"Bom dia, amigos e amigas. Estamos todos unidos para reelegermos nossa presidenta Dilma Rousseff. Grande abraço". Foi com essa mensagem às 11h desta quarta-feira, 15, em sua página no Facebook que o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), conclamou seus seguidores à campanha presidencial.

Mas o resultado não foi o esperado. O post foi respondido com uma enxurrada de comentários com pessoas cobrando o pagamento de dívidas de campanha, em sua maior parte cabos eleitorais. A reportagem conversou com alguns dos contratados, que trabalharam na campanha petista e disseram ainda não terem recebido a segunda parcela de seus pagamentos. Ela estava prevista para 7 de outubro - após a derrota do candidato. O petista não foi ao segundo turno, que será disputado por Rodrigo Rollemberg (PSB) e Jofran Frejat (PR). A primeira parcela foi paga antes de o resultado do primeiro turno ser conhecido.

Ao menos parte dos cabos que cobram os honorários foram contratados pela empresa Fórmula Planejamento e Análise de Mercado Ltda., segundo apurou a reportagem. Essa empresa já recebeu R$ 630 mil da campanha de Agnelo, de acordo com a prestação de contas parcial apresentada pelo candidato à Justiça Eleitoral.

Os pagamentos atrasados variam de R$ 500 a R$ 2.500, dependendo da função exercida por cada cabo eleitoral, relataram pessoas que estão com pagamento atrasado e que aceitaram dar entrevista sem ter seus nomes revelados. Disseram ainda que há centenas de pessoas aguardando para receber.

O trabalho era orientado em reuniões com integrantes da campanha. O próprio Agnelo Queiroz chegou a participar de alguns desses encontros. Os cabos eleitorais eram divididos em equipes espalhadas pelas diversas regiões de Brasília. Cada conjunto de equipes respondia a um supervisor que, por sua vez, respondia à campanha.

O trabalho consistia em fazer pesquisas, na rua, sobre a intenção de votos dos eleitores. Para convencer os que não votavam em Agnelo, eram exibidos vídeos sobre o ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda, envolvido no escândalo de corrupção conhecido como "mensalão do DEM".

Arruda não pôde ser candidato neste ano por ter sido considerado ficha suja pela Justiça Eleitoral. Mas colocou em seu lugar Jofran Frejat (PR), que apareceu em algumas pesquisas empatado com Agnelo na segunda posição, disputando portanto uma vaga no segundo turno.

O comitê financeiro da campanha de Agnelo informou à reportagem, por meio de assessoria de imprensa, que a campanha não contratou pessoas físicas, apenas empresas, e que vai cobrar de suas contratadas o comprovante de pagamento dos honorários dos cabos eleitorais. O prazo para prestação de contas final da campanha é 4 de novembro.

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