Wilton Jr.|Estadão
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Possível renúncia de Cunha ao cargo seria tarde demais, avaliam parlamentares

Para deputados, saída teria sido solução se ocorresse logo após a votação do afastamento da presidente Dilma Rousseff, em abril

Daiene Cardoso, O Estado de S.Paulo

20 de junho de 2016 | 18h11

BRASÍLIA - Diante das especulações sobre a possibilidade de renúncia do deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB) da presidência da Câmara, parlamentares afirmam que a medida não aumentará as chances de o peemedebista escapar da cassação em plenário. Os deputados dizem que a renúncia deveria ter ocorrido logo após a votação do afastamento da presidente Dilma Rousseff e que qualquer tentativa de se buscar um acordo seria demasiadamente tardia.

"Se ele tivesse feito isso em 18 de abril, teria cumprido sua missão", resumiu o deputado Esperidião Amin (PP-SC), um dos membros da Comissão de Constituição e Justiça da Casa.

O primeiro-secretário da Mesa Diretora, deputado Beto Mansur (PRB-SP), concorda que o momento para renunciar ao cargo deveria ter ocorrido em abril e que o peemedebista "perdeu o timing". "Se ele pudesse renunciar amanhã, seria ótimo para a Casa", declarou.

Relator do pedido de cassação de Cunha, Marcos Rogério (DEM-RO) descartou a possibilidade de haver qualquer acordo para salvar o mandato do deputado afastado, principalmente após a decisão do presidente interino, Waldir Maranhão (PP-MA), de retirar a consulta que poderia mudar o rito de votação do processo disciplinar no plenário. Para Rogério, a pressão popular na votação aberta no plenário falará mais alto ao parlamentar. "Acordo que tenha voto com digital é acordo impossível. Voto aberto e diante de provas fortes não me parece factível. É difícil cumprir esse tipo de acordo", afirmou.

Os deputados elogiaram a decisão de Maranhão de retirar a consulta da CCJ e disseram que, com a medida, o pepista tenta se livrar da pecha de "manobrador geral da Casa". "Maranhão nos poupou de um trabalho árduo", disse Rogério.

A avaliação geral é que Cunha perdeu a chance de mudar em plenário a punição mais severa para uma alternativa, que preservasse o mandato. Agora só contará com os recursos que ainda impetrará. "Eduardo Cunha perde a possibilidade de ter no projeto de resolução algum tipo de emenda que lhe dê uma pena mais branda", concluiu Mansur.

Cunha programou para esta terça-feira, 20, entrevista em um hotel de Brasília, onde deve rebater o parecer aprovado pelo Conselho de Ética que pede sua cassação. A expectativa é que o deputado afastado apresente os argumentos que serão levantados nos recursos à CCJ, negue que tenha se valido de manobras regimentais para salvar o mandato e reclame de cerceamento de defesa, de traição e de "condenação" antecipada.

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