Possível candidatura de Campos gera crise no PSB

Em ação orquestrada pelo PT, governadores aliados e "amigos" do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, entregaram um recado do Planalto ao presidenciável: há uma crise instalada nos palanques estaduais do PSB e que, além de se lançar de forma precipitada como candidato a presidente da República, Campos não deve contar com o apoio de siglas como PTB, PDT e PPS (este último presente como "tradicional aliado" na convenção do PSDB que formalizou o senador Aécio Neves na presidência do partido).

DAIENE CARDOSO, Agência Estado

24 de maio de 2013 | 18h05

Preocupados com as possíveis ausências do PT e do PMDB nas alianças regionais, os governadores do Amapá, Camilo Capiberibe, e do Espírito Santo, Renato Casagrande, ambos do PSB, disseram a Campos que seus palanques estão sendo esvaziados e que uma candidatura própria ao Planalto em 2014 seria "uma aventura". Com a expectativa frustrada dos palanques estaduais de Campos, cresce entre petistas a esperança de que o governador de Pernambuco desista da candidatura, como prevê o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O argumento apresentado aos governadores é que seria arriscado para o PSB lançar candidatura própria em 2014 e disputar uma eleição simplesmente para marcar posição agora, como já vinha sendo encampado pelo governador Cid Gomes (CE). "É óbvio que se o PSB tem candidatura própria, isso vai dificultar a formação de alianças nos Estados. É consequência natural. Como o PT vai apoiar um candidato a governador que vota em outro candidato a presidente?", ponderou o governador, que defende a preservação da aliança que elegeu cinco dos seis governadores do partido (com exceção da Paraíba) e a ampliação da bancada do PSB no Senado.

Cid fala abertamente que a candidatura de Campos sacrifica a manutenção dos governos do PSB nos Estados, enquanto outros governadores, como Wilson Martins (PI), trabalham nos bastidores para demover Campos de seu projeto nacional. "Ele tem sido mais cuidadoso para evitar estragos na relação com Eduardo Campos", explicou um aliado de Martins. "O Wilson não quer saber do Eduardo Campos", comemorou um petista.

Embora Campos não tenha dado sinais de desistência, os petistas avaliam que as "conversas" com os "amigos" de Campos surtiram efeito e o clima de campanha do líder do PSB diminuiu. "Nos últimos 30 dias a temperatura abaixou, o que permite a reaglutinação do PSB na base", avaliou um líder do governo.

A estratégia do PT para atrair o PSB passa não apenas pelo palanque dos Estados, mas também pela relação com o Palácio do Planalto. "As duas variáveis que influenciam no apoio à presidente Dilma são as alianças locais do PSB com o PT e uma relação positiva com o governo federal", afirmou o deputado Paulo Teixeira (SP), secretário-geral do PT. "O primeiro cálculo é de natureza político-eleitoral e o segundo, de natureza administrativa", disse.

Intimidações

Entusiasta da candidatura de Campos, o líder do partido na Câmara dos Deputados, Beto Albuquerque (RS), reclama que o Planalto tem agido em outra frente: constrangendo governadores e prefeitos que se declaram a favor de Campos. "As coisas começaram a ficar difíceis para quem disser que está com Eduardo", disse. Segundo ele, a dificuldade de acesso a recursos e programas federais estaria obrigando os governadores a declararem apoio público à reeleição de Dilma.

Albuquerque afirmou que as "intimidações" partem de pessoas próximas da presidente Dilma. "Isso tem o dedo de setores que querem constranger o PSB. E isso não pode continuar. Isso é inaceitável", afirmou o deputado. O líder do governo no Senado, Wellington Dias (PI), saiu em defesa do Palácio do Planalto: "Isso não é verdade. Tudo o que foi prometido foi mantido".

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