Possibilidade de ocupar Ministério da Integração gera disputa no PMDB

Vital do Rêgo (PB) e Eduardo Braga (AM) são os nomes cotados para assumir a pasta, que deverá ser a sexta sob controle do partido a partir de 2015

Nivaldo Souza e Isadora Peron, O Estado de S. Paulo

07 de novembro de 2014 | 18h41

 Brasília - O PMDB já considera como seu o Ministério da Integração Nacional caso a presidente Dilma Rousseff conceda o Ministério da Educação para Cid Gomes (PROS), que deixa no final do ano o governo do Ceará depois de dois mandatos. O PMDB, contudo, deve enfrentar um embate interno entre os senadores Eduardo Braga (AM) e Vital do Rêgo (PB) na disputa por essa nova vaga. Atualmente o Ministério da Integração, está sob comando de Francisco José Coelho Teixeira, do PROS.

Braga é líder do governo no Senado, posição que o aproximou de Dilma nos últimos dois anos. Depois de perder a eleição, o parlamentar amazonense começa a se articular para viabilizar como ministeriável. Ele, contudo, não tem apoio da maioria da bancada peemedebista no Senado, que vê Braga como um articulador que joga apenas para si e não para o partido.

Vital do Rêgo, que esteve cotado para Integração no ano passado, é o favorito do PMDB do Senado para comandar a Pasta a partir de 2015. Pesa a favor dele o fato de o Ministério da Integração ser uma pasta com programas voltados para o Nordeste, especialmente com ações de combate à seca no sertão.

A ala peemedebista no Senado entende também que atuação do senador paraibano na condução em momentos politicamente estratégicos durante as CPIs do Cachoeira, em 2012, e da Petrobrás, ainda em andamento, merecem ser recompensadas. "O Vital conseguiu reduzir um relatório de três mil páginas em um de apenas sete páginas na CPI do Cachoeira. Isso não merece um reconhecimento?", diz um peemedebista.

Energia. Os peemedebistas teriam sinalizado à presidente Dilma que o Ministério da Integração Nacional seria uma forma parcial de compensar a perda do Ministério de Minas e Energia (MME), ocupado hoje pelo ministro Edison Lobão (MA). Ele deve sair da pasta, na qual Dilma pretende fazer uma "faxina" em meio à crise no setor elétrico e na Petrobrás. O PMDB entende que pode perder o MME em razão das denúncias de corrupção na Petrobrás, mas a pasta ainda está "na lista de desejos" da legenda, segundo um peemedebista.

O partido, porém, se vê enfraquecido para seguir à frente do MME após a queda de Sérgio Machado da presidência da Transpetro por suposto envolvimento em esquema de corrupção. Diante da perda do controle da pasta, os peemedebistas avaliam como alternativa a ascensão do atual secretário-executivo do MME, Márcio Zimmermann, para o lugar de Lobão. O secretário é visto da "cota pessoal da presidente Dilma", disse um peemedebista.

Zimmermann, contudo, também é apontado por alguns integrantes dos partido como "maleável", ou seja, disposto a negociar a manutenção de apadrinhados políticos do PMDB em cargos nas estatais do setor de energia, gás e petróleo.

Cidades. Apesar de enxergar Integração como um sexto ministério para o partido, que ocupa atualmente cinco pastas, o PMDB mira também no Ministério das Cidades para compensar a perda de Minas e Energia. O objetivo da sigla é a pasta das Cidades do PP. Para isso, o partido confia em um desgaste do partido nas denúncias envolvendo a legenda comandada pelo senador Ciro Nogueira (PI) na CPI da Petrobrás.

O Ministério das Cidades é cobiçado por administrar os programas Minha Casa, Minha Vida e o PAC da Mobilidade Urbana, cujos orçamentos bilionários superam o Ministério da Educação. Os dois programas são vistos como eleitoralmente pujantes, já que o ministério tem poder para direcionar investimentos para os municípios e os Estados. "Quem não quer o Minha Casa, Minha Eleição?", ironiza o peemedebista.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.