Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Possibilidade de confronto 'está afastada' no dia do julgamento Lula, diz secretário

Titular estadual de Segurança Pública no Rio Grande do Sul diz que houve entendimento entre manifestantes pró e contra ex-presidente para que não haja conflitos nesta quarta

Elizabeth Lopes, O Estado de S.Paulo

23 Janeiro 2018 | 10h48

O secretário de Segurança Pública do Rio Grande do Sul, Cezar Augusto Schirmer, afirmou em entrevista à Rádio Eldorado, na manhã desta terça-feira, 23, que as ações realizadas até o momento devem evitar que ocorram confrontos entre manifestantes pró e contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, presentes na cidade de Porto Alegre para acompanhar, amanhã, 24, o julgamento da ação no Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4) em que o petista foi condenado a 9 anos e seis meses de prisão pelo juiz Sérgio Moro no caso do triplex do Guarujá.

"Acreditamos que a possibilidade física de confronto está afastada, mas é claro que sempre há riscos, por isso aumentamos intensamente o policiamento na capital e nas áreas de potencial explosivo. Toda cautela é pouco e estamos fazendo tudo que é possível", destacou.

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Na entrevista, Schirmer justificou o estado de sítio em torno do TRF-4, dizendo que o tribunal fica numa região dentro de um parque, às margens do Rio Guaiba, onde há outros prédios públicos como a Câmara de Vereadores e alguns federais, como Ministérios da Fazenda e Agricultura, Incra, Serpro, IBGE. "Entendemos que para evitar qualquer incidente, é necessário isolar a área a partir de hoje à tarde até amanhã, 24, à noite", destacou. Segundo ele, os funcionários dessas repartições não irão trabalhar durante esse isolamento dos prédios e o TRF-4 só vai funcionar com a câmara específica para o julgamento. "Só entrará nessa área quem tiver autorização do tribunal."

Lula chega hoje, 23, à tarde a Porto Alegre para participar dos eventos previstos pelo PT e simpatizantes que defendem sua liberdade. De acordo com Schirmer, o petista não estará na área próxima ao tribunal, mas a cerca de 2 quilômetros. Portanto, a decisão de sitiar a área próxima ao TRF-4, segundo o secretário, foi tomada há dez dias e não tem relação com a presença de Lula, hoje, na cidade. "Nossas ações visam dar segurança à livre manifestação contra ou a favor (de Lula), mas há sempre o limite da não violência e o respeito à lei. Estamos trabalhando nessa direção, protegendo os manifestantes (de ambos os lados), mas também os habitantes da cidade que querem levar sua vida normal, trabalhando."

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O secretário informou também que a equipe de Segurança Pública trabalha com um gabinete de gestão integrada desde início de janeiro, tomando decisões a fim de evitar conflitos, principalmente no dia do julgamento. Segundo ele, houve entendimento, inclusive de local e temporal, com os manifestantes pró e contra Lula, a fim de que os confrontos possam ser evitados. "É importante que os manifestantes entendam que há limites para suas ações. Estamos vivendo uma aprendizagem democrática no Brasil, compreendendo que temos direito à livre manifestação, mas ela não é ilimitada, tem respeito à lei, à constituição, à democracia e à ordem pública. É um momento de aprendizagem para todos." Até a manhã desta terça-feira, segundo o secretário, foram registradas a chegada de 150 ônibus fretados à cidade.

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