Posseira diz ter sido torturada por milícia no Pará

A posseira Feliciana Rosa da Silva, de 49 anos, afirmou, em depoimento prestado no fim de semana na Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão, em Brasília, ter sido espancada, torturada e atirada sobre um formigueiro após a invasão da Fazenda Boa Sorte, em Parauapebas, no sul do Pará.Ela aponta como responsáveis pela tortura integrantes de uma milícia armada que seria comandada por Edinalva Rodrigues Araújo e o companheiro dela, Luiz Vieira Rodrigues, o Rambo, ligados à Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetagri) e ao Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Parauapebas, no sul do Pará.Segundo ela, após ter sido obrigada a ingerir veneno, os homens efetuaram vários disparos para que ela entrasse em pânico e abandonasse definitivamente o lote que ocupa, dentro da Fazenda Boa Sorte, que eles afirmam ser deles.Uma fita de vídeo com vários depoimentos, incluindo o de Feliciana, foi entregue à subprocuradora-geral da República e procuradora federal dos Direitos do Cidadão, Maria Eliane Menezes de Farias.A procuradora informou que o caso de Feliciana será levado à reunião de terça-feira do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana, do Ministério da Justiça. A vítima entrará no Programa Federal de Proteção à Testemunha.Edinalva e Rambo alegam que são vítimas de "mentiras e calúnias" e que tudo não passa de perseguição contra eles. Também garantem que as acusações têm conotação política e acusam outro grupo de posseiros de roubar gado e expulsar os colonos de seus lotes.

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