Carl de Souza / AFP
Carl de Souza / AFP

Posse tem o menor número de delegações estrangeiras em 1º mandato desde redemocratização

Cerimônia de Bolsonaro teve menos que a metade dos enviados internacionais em comparação a FHC, Dilma e Lula

Lu Aiko Otta, O Estado de S.Paulo

01 de janeiro de 2019 | 17h59

BRASÍLIA - Os festejos da posse de Jair Bolsonaro contabilizaram o menor número de delegações estrangeiras numa posse de primeiro mandato em quase três décadas. Neste ano, 46 delegações estrangeiras vieram à capital federal, segundo informou o Itamaraty. Desses, dez vieram lideradas por seus chefes de Estado ou governo.

Levantamento feito no acervo do Estado mostra que à posse de Fernando Collor de Mello, em 1990, vieram 72 delegações estrangeiras. O jornal da época mostra que a grande estrela dessa festa foi o mandatário de Cuba, Fidel Castro, que fazia sua primeira visita ao Brasil. Ele chegou atrasado ao último compromisso da agenda do então presidente, José Sarney. De linha favorável aos Estados Unidos, a posse de Collor foi prestigiada pelo então vice-presidente, Dan Quayle.

Para a posse de Fernando Henrique Cardoso, em 1995, vieram 120 delegações. Fidel novamente prestigiou a festa, que teve direito a show de Daniela Mercury.

Novidade no cenário internacional, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mereceu o deslocamento de 110 delegações estrangeiras para sua posse. Ele dividiu os holofotes com o então presidente da Venezuela, Hugo Chávez.

Dessa vez, os Estados Unidos enviaram seu representante comercial, Robert Zoellick, que havia se envolvido em um bate-boca com Lula na campanha eleitoral. O brasileiro ameaçava paralisar as negociações para formação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca). Zoellick afirmou que, fazendo isso, o Brasil poderia fazer comércio com os pinguins da Antártida. Ao que Lula o classificou de “sub do sub”.

A posse mais prestigiada em termos de presença estrangeira foi a de Dilma Rousseff, em 2011. O jornal do dia registra a presença de 130 delegações estrangeiras, das quais 32 lideradas por chefes de Estado ou de governo.

Jantar. O governo brasileiro emitiu 2.300 convites para o coquetel no Itamaraty após a cerimônia de posse no Palácio do Planalto. Como o convite dá direito a um acompanhante, eram esperados até 4.600 convidados. 

Integrantes da equipe de governo, parlamentares, chefes de Poder, representantes da sociedade e convidados do presidente Jair Bolsonaro integram a lista de convidados. Dois andares do Palácio Itamaraty, que no dia a dia são espaços livres, receberam mesas e cadeiras para a comemoração. No andar superior foi separada uma ala “vip” para as pessoas mais próximas do presidente. A promessa do cerimonial é uma festa simples, mas elegante.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.