Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

Posse de Bolsonaro tem forte esquema de segurança

Público tem que passar por revista, não pode levar água e fica confinado no gramado central

Lígia Formenti, Fabio Serapião, Renan Truffi, Marianna Holanda e Clarissa Oliveira, O Estado de S.Paulo

01 Janeiro 2019 | 11h57

Um forte esquema de segurança foi montado na Esplanada dos Ministérios para a cerimônia de posse do presidente eleito Jair Bolsonaro. Logo no primeiro ponto de revista, mensagens de um caminhão de som alertam que, para garantir a segurança, foram posicionados vários atiradores, além de agentes especializados em defesa química, biológica e nuclear. 

Pessoas que vieram à Esplanada para acompanhar a posse no fim da manhã de domingo não enfrentaram grandes filas para passar em dois postos de revista. Frutas precisaram ser cortadas e apenas sacos transparentes foram permitidos. 

Superada a barreira, populares tiveram um espaço limitado para circulação. Foi permitido o acesso apenas ao gramado central, sem a possibilidade de movimentação para áreas próximas dos prédios dos Ministérios. Tapumes foram montados em frente à Catedral, para isolar o trecho de onde partiu o desfile do presidente eleito. 

O tenente coronel Henrique Pinto informou que 2.900 homens da Polícia Militar participaram da operação de segurança na Esplanada. No efetivo, homens do Corpo de Bombeiros Exército e da Caesb, companhia encarregada da distribuição de água potável - não foi permitida a entrada com garrafas de água, nem o acesso de vendedores ambulantes.

Até o fim da manhã, havia na Esplanada mais policiais do que pessoas interessadas em acompanhar a posse. O porta-voz da Polícia Militar, major Michello Bueno, não conseguiu calcular o número de pessoas presentes na Esplanada. "Elas estão espalhadas. Pode ter duas mil, três mil. Mas o movimento está crescendo", afirmou. 

Deputado vê exagero no esquema de segurança

Um dos principais aliados de Jair Bolsonaro, o deputado federal Alberto Fraga (DEM-DF) criticou o forte esquema de segurança organizado para a posse do novo presidente. Fraga disse que o excesso de barreiras está criando constrangimento para os parlamentares que irão acompanhar a cerimônia.

"Para chegar até aqui (Plenário da Câmara) foi uma dificuldade, você imagina para o povo. Esse excesso de medidas de segurança pode causar algum tipo de transtorno ou até constrangimento para alguém que se elegeu com base no povo", disse. "Do meu gabinete ao Plenário aqui, fui barrado três vezes. Isso não é necessário. Muita gente que poderia vir aqui para dar um abraço vai se sentir constrangida pelo excesso de segurança", complementou.

O deputado disse ainda que não era necessário todo esse esquema de segurança e classificou a organização de "exagerada". "Com todo respeito, evidente que não precisava de toda essa segurança. A gente não tem essa cultura de atentados. A gente sabe que as medidas devem ser adotadas, mas não com esse exagero. Não vou dizer que invadiram porque foi autorizado, mas entraram em todos os gabinetes para fechar as persianas", disse.

Funcionários do Palácio do Planalto foram orientados a não tocar nas persianas das salas desde domingo. Qualquer movimento, disseram os agentes de segurança, poderia ser interpretado como hostil.

Apoiadores gritam “Moro, eu te amo” na porta de hotel

Cerca de 30 apoiadores do ex-juiz Sérgio Moro estiveram na porta do hotel em que o futuro ministro se hospedou na capital federal, por volta das 11 horas.  

Vestidos com camisetas amarelas ou com o rosto do presidente Jair Bolsonaro, eles entoaram trechos do Hino Nacional e gritos de “Moro, eu te amo”. Alguns estavam acompanhados de crianças e adolescentes. 

Por volta das 11h40, os apoiadores já haviam saído do local rumo à Esplanada dos Ministérios, para acompanhar a cerimônia de posse do presidente eleito. 

O futuro ministro da Justiça participa da cerimônia de hoje e, amanhã, dia 2, receberá oficialmente a pasta do antecessor, Raul Jungmann. A transmissão do cargo está agendada para as 10h. 

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