Ciaran McCrickard/Fórum Econômico Mundial
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Posição sobre legalizar aborto causou demissão de Ilona, diz Bolsonaro

Para o presidente, o fato de a cientista política defender a legalização do aborto, por exemplo, poderia criar 'ruído' no Legislativo

Julia Lindner, O Estado de S.Paulo

13 de março de 2019 | 12h38

BRASÍLIA - O presidente Jair Bolsonaro justificou o pedido para que o ministro da Justiça e Segurança, Sérgio Moro, demitisse a cientista política e especialista em segurança pública Ilona Szabó por posicionamentos "incompatíveis com o governo", entre eles a legalização do aborto. Em fevereiro, Ilona foi exonerada do posto de membro suplente do Conselho de Política Criminal e Penitenciária um dia após ter sido nomeada por Moro.

De acordo com Carlos Alberto Di Franco, articulista do Estado, que participou de café da manhã para jornalistas no Palácio do Planalto, Bolsonaro afirmou que deu carta branca aos ministros para nomeações, mas que possui "poder de veto" em determinados casos. O Estado não foi convidado para o encontro.

A jornalistas, Bolsonaro disse ainda que o problema fundamental no caso de Ilona foram suas posições em relação a temas que poderiam gerar problemas para ele com a base aliada. Para o presidente, o fato da cientista política defender a legalização do aborto, por exemplo, poderia criar "ruído" no Legislativo. Bolsonaro afirmou que teve uma conversa "tranquila" com Moro sobre o assunto e que ele compreendeu a questão. 

Relembre

A cientista política Ilona Szabó é diretora do Instituto Igarapé, reconhecido em estudos sobre segurança pública. Em 22 de fevereiro, ela foi convidada pelo ministro da Justiça, Sérgio Moro, para integrar, como suplente, o Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária. Após protestos nas redes sociais pela indicação, ela foi desconvidada do Conselho. 

Em entrevista ao Estado em 28 de fevereiro, Ilona relatou as motivações da demissão. "O ministro (Sérgio Moro) me pediu desculpas. Disse que ele lamentava, mas estava sendo pressionado, porque o presidente Bolsonaro não sustentava a escolha na base dele".

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