Marcelo Camargo/Estadão
Marcelo Camargo/Estadão

Posição do PSDB é cada vez mais clara pelo desembarque, diz Tasso

Presidente interino da legenda defende saída do partido da base aliada, mas com apoio às reformas econômicas

Julia Lindner, O Estado de S.Paulo

05 de julho de 2017 | 16h36

BRASÍLIA - O presidente interino do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), declarou que a posição do partido "é cada vez mais clara" pela saída do governo do presidente Michel Temer. "O posicionamento é pelo desembarque, não é de oposição ao governo", declarou o parlamentar. 

Tasso defende a saída do PSDB da base aliada, mas a manutenção do apoio às reformas econômicas. Já o presidente afastado da legenda, Aécio Neves (MG), que retomou na terça-feira, 4, o mandato parlamentar, quer que a legenda mantenha a participação direta no governo, sem entregar os cargos que possui.

Em conversa com jornalistas, Tasso afirmou ainda que Aécio deve tomar uma decisão definitiva sobre quem ficará no comando da legenda até o final desta semana. "A decisão será dele porque é ele que tem o mandato de presidente. Até o final da semana isso deve ser decidido, ele ainda está organizando a casa", disse. 

Independente do posicionamento de Aécio, Tasso considera que ele "terá que enfrentar o fato que é a posição da maioria". "A posição do partido é cada vez mais clara. Não dá para controlar, as coisas vão acontecendo", destacou. 

Ele disse que esta postura contrária ao governo está ficando evidenciada "pelos fatos", citando como exemplo a posição dos deputados tucanos na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, onde a denúncia contra Temer será analisada, e avalia que a grande maioria já está se manifestando.  

Tasso e seus aliados cobram Aécio por uma decisão definitiva sobre o comando da legenda, para garantir maior legitimidade às decisões tomadas. O tucano admite que o presidente tem influência nas decisões do partido, mas que a sua opinião não é um fator determinante. "Vai restar ao presidente chancelar a decisão da maioria."

Afastado de suas funções parlamentares por cerca de 45 dias após decisão judicial, Aécio retornou ao Congresso Nacional com um discurso no plenário de apoio ao governo. Em sua fala, disse que o presidente Michel Temer "continua a liderar" as reformas em discussão no Congresso e pediu a unidade do partido. "Unidade é uma coisa, unanimidade é impossível", disse Tasso, em referência à fala de Aécio.

Embora correntes do partido defendam seu afastamento definitivo da presidência do partido, Aécio quer ganhar tempo até passar a votação do recurso pedindo a cassação de seu mandato no Conselho de Ética do Senado, na quinta-feira, 6, e a votação da denúncia contra o presidente Michel Temer, na Câmara, para que a decisão seja tomada.

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