Marcos Valério
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Portugal apura ligação de ex-executivo com mensalão

Ex-presidente da Portugal Telecom foi ouvido e indiciado por suspeita de repasse irregular ao PT relatada por Valério

JAMIL CHADE , ENVIADO ESPECIAL / LAUSANNE , O Estado de S.Paulo

30 de janeiro de 2015 | 02h03

A Procuradoria-Geral da República de Portugal investiga o envolvimento de executivos da Portugal Telecom no caso do mensalão no Brasil devido a supostas negociações para o pagamento de repasses ilegais pela empresa de telefonia ao PT. O Departamento Central de Investigação e Ação Penal em Lisboa confirmou a existência do processo e indica que está agindo "em cooperação" com o Brasil.

A denúncia foi feita em 2012 pelo empresário Marcos Valério, condenado no caso do mensalão, em depoimento à Procuradoria-Geral da República do Brasil. No depoimento, Valério afirmou que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva negociou com o então presidente da Portugal Telecom, Miguel Horta e Costa, o repasse de 2,6 milhões para o PT. O conteúdo do depoimento foi revelado pelo Estado na época.

No último dia 9 de janeiro, o Ministério Público português convocou o ex-presidente da empresa de telefonia para prestar depoimento. Segundo o órgão português, a convocação do ex-executivo fazia parte de uma carta rogatória enviada pelo Ministério Público brasileiro que pedia a cooperação para averiguar o papel de Horta e Costa no caso.

"Atendemos o pedido de cooperação", indicou ao Estado o Departamento Central de Investigação e Ação Penal. A entidade, porém, se negou a informar se outros executivos ou políticos serão convocados a depor. Miguel Horta e Costa respondeu a perguntas do MP brasileiro e ainda foi indiciado num processo independente aberto em Portugal.

"Tratou-se de uma calúnia sem fundamento, feita em 2012, sobre pretensos fatos ocorridos há 11 anos (2003-2004) e que, estou certo, será completamente esclarecida", disse o ex-executivo à agência Lusa.

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