Portuários programam greve em protesto à vigilância de sindicalistas

Monitoramento feito por agência do governo desagradou categoria, que promete ato nacional nesta ou na próxima semana; Força Sindical cobra explicações

Isadora Peron, de O Estado de S.Paulo

09 Abril 2013 | 14h13

Portuários de todo o País estão programando uma greve em protesto contra a ação da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) no porto da Suape, em Pernambuco. O presidente da Federação Nacional dos Estivadores, Wilton Ferreira Barreto, afirmou nesta terça-feira, 9, que categoria está revoltada com a atitude do governo de monitorar o movimento sindical e pretende parar nesta ou na próxima semana.

 

Barreto está em Brasília e disse que as conversas com os estivadores continuam nesta quarta-feira, 10. "Há uma inquietação nos portos e uma predisposição a fazer uma paralisação em todo o Brasil", relatou.

 

Reportagem do Estado publicada nesta terça confirma que o Gabinete de Segurança Institucional da Presidência (GSI) mobilizou a Abin para monitorar portuários e sindicatos contrários à Medida Provisória 595, conhecida como MP dos Portos. O ofício desmente o general José Elito, ministro-chefe do GSI, que na semana passada chamou de "mentirosa" uma outra matéria do jornal que revelava a ação da Abin em Pernambuco.

 

O documento mostra que a "missão" da Abin era identificar ações grevistas como reação à medida provisória que altera o funcionamento dos portos. O alvo central eram sindicalistas ligados à Força Sindical. Outro trecho cita a Federação Nacional dos Portuários e a Central Única dos Trabalhadores (CUT).

 

O presidente da Força, deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), conhecido como Paulinho da Força, disse nesta terça que já redigiu um requerimento para convocar os representantes da GSI e da Abin a dar explicações no Congresso e que pretende denunciar o caso até mesmo à Organização Internacional do Trabalho (OIT). O deputado vai pedir ajuda ao Ministério Público do Trabalho para apurar a denúncia.

 

"É muito grave o que eles fizeram. Afeta a livre organização sindical. É inadmissível um governo democrático, de uma presidente que sofreu esse tipo de perseguição na ditadura, perseguir agora o movimento sindical", afirmou Paulinho, em referência ao fato da presidente Dilma Rousseff, que chegou a ser torturada durante o regime militar, no início dos anos 70.

 

Paulinho também condenou o fato de o general Elito, após a revelação do caso na semana passada, ter negado que houvesse monitoramento do movimento sindical. "Um ministro do governo mente para a opinião pública. Fica claro agora que ele mentiu, na medida em que ele disse que não havia investigação, e o Estado hoje divulga o pedido de investigação."

 

 

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