Reprodução/Facebook Jair Bolsonaro
Reprodução/Facebook Jair Bolsonaro

Porta-voz diz que volta de Bolsonaro à Presidência foi adiada para acelerar recuperação

Médico responsável pela cirurgia diz que presidente pode ter alta em 'três ou quatro' dias; sonda nasogástrica foi retirada

Iander Porcella e Paula Reverbel, O Estado de S.Paulo

13 de setembro de 2019 | 11h24
Atualizado 13 de setembro de 2019 | 20h50

O presidente Jair Bolsonaro “precisa de plenitude para reassumir a Presidência” e por isso a volta dele ao cargo foi adiada em quatro dias, afirmou nesta sexta-feira, 13, o porta-voz da Presidência, Otávio Rêgo Barros.

Bolsonaro se recupera no Hospital Vila Nova Star, em São Paulo, de uma cirurgia realizada no domingo, 8, para correção de uma hérnia incisional. Segundo boletim médico divulgado pelo hospital, foi retirada a sonda nasogástrica e reintroduzida a dieta líquida. O presidente, no entanto, também continua recebendo alimentação diretamente na veia.

Médico responsável pelo cirurgia, Antônio Macedo disse que Bolsonaro pode ter alta daqui a três ou quatro dias, caso apresente melhora nos movimentos intestinais e avance nas dietas. “Tiramos a sonda porque a drenagem de ontem para hoje foi bem reduzida”, explicou. O objetivo da sonda nasogástrica, introduzida na terça-feira, 10, era drenar ar e líquidos do organismo do presidente para aliviar uma distensão abdominal.  

Segundo Macedo, a equipe médica decidiu manter as duas dietas - líquida e venosa - por precaução. “Não entramos com uma dieta completa porque é perigoso aumentar a dieta líquida sem que a gente saiba como o intestino vai reagir. No momento em que se puder aumentar o volume da dieta líquida sem que ele se sinta mal, eu começo a diminuir a nutrição endovenosa.”

O médico explicou que, depois da dieta líquida, Bolsonaro passará para uma dieta cremosa, que, segundo ele, é “a dos potinhos de Nestlé, fácil de engolir e não precisa mastigar nada”. Depois, o presidente terá uma dieta pastosa, que é “mais evoluída e substanciosa do que a cremosa”, de acordo com Macedo. O médico disse, ainda, que a alta poderia vir no momento em que Bolsonaro passar para a dieta cremosa e não precisar mais da alimentação na veia.

A previsão inicial era que o presidente reassumisse a Presidência nesta sexta. No entanto, na quinta-feira, 12, o Palácio do Planalto informou que, por decisão médica, o presidente ficará afastado do comando do País até segunda-feira, 16. “Nós entendemos que para acelerar o processo de recuperação seria necessário um período maior de repouso”, disse Rêgo Barros. O presidente em exercício, até lá, é o general Hamilton Mourão, vice-presidente.

Rêgo Barros reforçou também que Bolsonaro discursará na abertura da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) no dia 24 de setembro e disse que o presidente colocou o governo federal à disposição para “ajudar no que for necessário” em relação ao incêndio ocorrido ontem no Hospital Badim, no Rio de Janeiro. 

Boletim

O boletim médico do presidente, também divulgado na manhã desta sexta-feira, informou que Bolsonaro “tem evolução clínica favorável, sem dor, afebril e com recuperação progressiva dos movimentos intestinais”. Ele mantém fisioterapia respiratória e motora e as visitas continuam restritas. À tarde, o porta-voz afirmou, em comunicado, que o presidente não reclama mais de dor. 

O comunicado diz ainda que Bolsonaro caminhou mais de 2 km andando pelos corredores do hospital, fez fisioterapia respiratória e ingeriu mais de 650 ml de chá ao longo do dia. “Ele está se sentindo bem e não registra queixas de dor”, diz o texto.

Live

Na quinta-feira, 12, Bolsonaro fez uma breve live pelo Facebook, que durou pouco mais de três minutos. O presidente falou devagar e em tom baixo, parando para tomar fôlego em alguns momentos. Bolsonaro comentou alguns assuntos da semana e mencionou a visita que recebeu do médico Luiz Henrique Borsato, que o atendeu após ele ter sido esfaqueado há um ano, durante a campanha eleitoral, em Juiz de Fora, no interior de Minas Gerais.

O procedimento cirúrgico a que o presidente foi submetido no domingo, 8, foi o quarto após o atentado. A cirurgia, realizada para corrigir uma hérnia que surgiu na região do abdômen, durou cerca de cinco horas e foi considerada bem-sucedida pela equipe médica.

A primeira-dama Michelle Bolsonaro e o vereador Carlos Bolsonaro (PSC), do Rio, filho do presidente, estão em São Paulo como acompanhantes e dormem no hospital. Já o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) fazem visitas ao pai. Na segunda-feira, 9, Bolsonaro recebeu também a visita do presidente em exercício, general Hamilton Mourão.

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