Porta-aviões dos EUA faz campanha para Boeing no Rio

Depois de 16 dias socorrendo vítimas do terremoto no Haiti, o porta-aviões norte-americano USS Carl Vinson chegou hoje à Baía de Guanabara em outra missão de socorro, desta vez em favor da Boeing, autora de uma das propostas para vender 36 caças ao Brasil no projeto FX-2, de US$ 10 bilhões. Tendo a bordo 60 aviões, entre eles alguns F-18 Super Hornets - que a empresa oferece na disputa contra os Rafale da francesa Dassault e os Grippen da sueca Saab -, a embarcação de 332,85 metros, e com dois reatores nucleares virou paisagem para o comandante do Grupo-Tarefa de Porta-Aviões Nº 1+ dos EUA, contra-almirante Ted Branch, elogiar o produto americano. Um representante da Boeing, Michael Coggins, também deu entrevista, oferecendo aos brasileiros parceria para transferir tecnologia e desenvolver a próxima geração do jato, com a Embraer e outras empresas do setor.

WILSON TOSTA, Agencia Estado

26 Fevereiro 2010 | 19h12

"Não sou vendedor, nem representante", afirmou Branch, sorridente, na conversa de menos de quinze minutos em terra, no Píer Mauá."Sim, temos F-18 a bordo. Este é um caça muito capaz, completo, talvez o mais completo caça disponível no mercado hoje em dia. O Brasil tomará a decisão correta, mas posso afirmar que este é um caça de excelente capacidade."

Menos diplomático que o militar, o civil Coggins criticou os concorrentes. "Acho que o histórico dos franceses aqui no Brasil, em termos de apoio aos aviões Mirage e a helicópteros aqui em solo é horrível. E foi bem documentado por muitas pessoas aqui no Brasil. É uma das razões pela qual a Força Aérea Brasileira prefere não trabalhar com o Rafale", disse ele, garantindo que o Super Hornet seria entregue no prazo.

Decisão política

Coggins reconheceu que Brasil e França têm uma longa parceria estratégica e disse que há um elemento político na decisão. Lembrou que outras autoridades americanas visitaram ou vão visitar o Brasil nos próximos dias, como o procurador-geral. Eric Holder, a secretária de Estado, Hillary Clinton, e o secretário de Comércio, Carlos Gutierrez, indicando que todos devem pressionar em favor da proposta americana. Coggins também lembrou que Hillary, o secretário de Defesa, Robert Gates, o Congresso e o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, deram garantias aos brasileiros de transferência de tecnologia.

Admitiu, porém, que o Brasil não confia nos Estados Unidos. "A questão é: o Brasil confia nos Estados Unidos, basicamente? Não. Então, temos que trabalhar a questão da confiança. Acho que minha mensagem para as pessoas é: deem-nos a oportunidade para ganhar sua confiança", afirmou, dizendo que a proposta americana é a que traz mais vantagens nos campos político, econômico e militar para o Brasil.

Ele comparou a situação à decisão do presidente Richard Nixon de reatar relações com a China no início da década de 70. "Vejam onde a China está hoje. Trinta anos depois (da visita de Nixon à China), teve um boom econômico, baseado em exportações, em grande parte lastreado na sua capacidade de vender nos mercados dos EUA. Estamos oferecendo a mesma oportunidade aqui no Brasil", afirmou ele, que negou, porém, que o USS Carl Vinson estivesse em "missão de vendas".

O press kit distribuído pelo Consulado dos EUA, porém, trazia, além de informações sobre Branch, outros dois militares e a embarcação, um release de sete páginas sobre o Super Hornet.

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