Porão contra a 'ditadura'

Alunos da São Francisco lembram luta contra a ditadura para continuar fumando na escola

Ângela Lacerda, de O Estado de S.Paulo

02 de novembro de 2010 | 19h59

RECIFE - Município pobre do sertão do Pajeú, a 411 quilômetros do Recife, Calumbi não tem indústria nem agência bancária, o comércio se resume a poucas lojas, como duas padarias, duas farmácias e três mercadinhos de pequeno porte. A população vive da agricultura familiar, dos programas sociais do governo federal ou de emprego na prefeitura.

 

Depois de virar notícia nacional por ter dado a maior votação proporcional à presidenta eleita Dilma Rousseff - ela obteve 96,51% dos votos dos 4.454 eleitores que compareceram às urnas - a expectativa é de investimento no município. "Fizemos a nossa parte, agradecemos e reconhecemos o que foi feito aqui, e agora a gente aguarda a retribuição", afirmou o prefeito Erivaldo José da Silva, conhecido como Joélson, do PSB, mesmo partido do governador reeleito Eduardo Campos, sigla a que aderiu ao se candidatar à prefeitura. Joélson, 39 anos, havia sido eleito anteriormente vereador, por dois mandatos, pelo PPS.

 

O agradecimento da população que já havia dado 94,8% dos votos a Dilma no primeiro turno, se refere a uma obra de saneamento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) que começa a ser realizada no município e a uma Academia das Cidades que está sendo implantada. No âmbito estadual, a iniciativa do governo de Eduardo de construir uma ponte de 154 metros sobre o rio Pajeú, que corta a cidade. Juntos, os empreendimentos têm proporcionado trabalho a mais de 60 calumbienses.

 

Cerca de 70% da população de 7,6 mil habitantes moram "do outro lado do rio", de acordo com o prefeito. Na época de chuvas, que vai de janeiro a maio, o rio enche e as pessoas ou atravessam o rio de barco ou são obrigados a fazer um contorno que pode chegar a até 100 quilômetros para chegar à cidade. Na época seca, o vai e vem entre um lado e outro se dá pelo leito do rio.

 

"Esta ponte era esperada há muito tempo pela população", diz o prefeito, preocupado porque a construtora responsável pela execução da obra, iniciada há dois meses com previsão de término em um ano, tem recebido os repasses com atraso. "Não pode haver paralisação", preocupa-se Joélson, satisfeito por ter sido recebido pelo governador, no Palácio do Campo das Princesas, com quem tomou café, para expor a antiga reivindicação da cidade.

 

Agora, o prefeito quer mais atenção na área da saúde - Calumbi só tem uma unidade mista de saúde - e programa de moradia popular.

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