Por voto, vale até apoio constrangedor

Dilma já distribuiu afagos a Garotinho e parte do PT protestou; Jefferson, cassado no escândalo do mensalão, declarou estar com Serra

Leandro Colon / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

31 Maio 2010 | 08h02

A cerca de quatro meses das eleições, os dois principais pré-candidatos à Presidência, Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB), têm um ponto em comum: as alianças nacionais e regionais "envergonhadas". São aqueles apoios constrangedores, mas necessários para a caminhada eleitoral.

 

Dilma já distribuiu afagos ao ex-governador do Rio Anthony Garotinho, pré-candidato do PR ao governo. Parte do PT não gostou e outra respaldou.

 

Garotinho e sua mulher, a ex-governadora Rosinha Matheus, são investigados por suposto envolvimento em corrupção, como o uso de ONGs para desvio de dinheiro público, entre outras suspeitas. Na quinta-feira, o casal foi cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Rio por abuso do poder econômico e uso indevido de meio de comunicação nas eleições de 2008. Se a decisão for confirmada, eles ficarão inelegíveis até 2011. Mesmo assim, Dilma quer os votos de Garotinho, embora caminhe para um apoio oficial à reeleição de Sérgio Cabral (PMDB).

 

Do Rio surge outro apoio incômodo, mas importante para José Serra: o do deputado cassado Roberto Jefferson, presidente do PTB. Ele denunciou o mensalão do PT, em 2005, e acabou sendo cassado por envolvimento no escândalo de distribuição de propinas. Agora, declarou apoio a Serra. Esteve no lançamento de sua pré-candidatura em Brasília.

 

Em Alagoas, Dilma tem um aliado de peso político, que recentemente foi alvo de diversos escândalos. O senador - e candidato à reeleição - Renan Calheiros (PMDB-AL) foi acusado de manter ligação com o lobista de uma grande empreiteira para custear despesas pessoais.

 

No mesmo Estado, Dilma não deve jogar fora a chance de subir no palanque do senador e ex-presidente Fernando Collor, pré-candidato a governador. Em 1992, ele deixou antes do tempo o mesmo palácio que Dilma quer ocupar a partir de 2011.

 

Quando se dirige ao Norte, a candidata do PT se depara com Jader Barbalho (PMDB), um "neoamigo" do comando petista. Preso em 2002 por ligação com esquema de corrupção na extinta Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), Jader quer ser candidato a governador. E já ofereceu a Dilma o seu palanque.

 

 

Fronteira. "É ingenuidade imaginar que só se trabalha com pessoas de bem na política. A questão é saber o limite dessas companhias", avalia o deputado tucano Gustavo Fruet (PR).

 

Seu colega de Câmara, Flávio Dino (PC do B-MA), aliado de Dilma, diz que é preciso estabelecer, de alguma maneira, o limite. "Não se pode imaginar critérios normativos para os políticos. O importante é ter noção de fronteira. A fronteira, no meu caso, é saber o programa do candidato."

 

Pré-candidato ao governo do Maranhão, Dino é adversário dos Sarney. Mas sabe que corre o risco de subir com eles no palanque de Dilma (ver box abaixo).

 

No centro de sua chapa presidencial, o tucano terá de conviver com um fantasma que pode assombrá-lo na corrida eleitoral: o esquema de corrupção no Distrito Federal, batizado de "mensalão do DEM". Eram do DEM o ex-governador (José Roberto Arruda) e o vice (Paulo Octávio), investigados em Brasília.

 

Sem palanque no DF, Serra recebeu a oferta do apoio do ex-governador Joaquim Roriz (PSC), que responde a denúncias de corrupção, mas é favorito nas pesquisas. Roriz, aliás, esteve recentemente com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em São Paulo. Até agora, nenhum tucano de alta plumagem desprezou o seu palanque.

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