Por uma urna no Rio, votação deixou de ser 100% eletrônica

Pane no Jardim Botânico forçou uso de cédula e impediu que eleição entrasse para a história

Renata Veríssimo e Mariângela Gallucci, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

27 de outubro de 2008 | 00h00

Se não fosse a substituição de uma urna no bairro Jardim Botânico, no Rio de Janeiro, o segundo turno entraria para a história como a primeira eleição de fato totalmente informatizada. Das 67.756 urnas eletrônicas utilizadas ontem, apenas uma teve de ser substituída pela urna de lona, na qual são depositados os votos em papel. Em 2004 foram usadas 39 urnas de coleta de voto de papel.No Rio, foram usadas urnas consideradas antigas, de 1998, que dão mais problemas do que as novas. Mesmo assim, foram necessárias 515 urnas sobressalentes, 0,661% do total de urnas instaladas na eleição municipal. É o índice mais baixo da história eleitoral eletrônica. No primeiro turno, o índice de troca foi de 0,680%.O primeiro prefeito eleito no segundo turno foi Neucimar Fraga, de Vila Velha (ES). O resultado final da eleição na cidade foi divulgado às 17h56, ou seja, menos de uma hora após o fim da votação. Outras cidades recordistas de votação foram Anápolis (18h10), Bauru (18h54), Canoas (18h57), Florianópolis e Joinville (18h59), Ponta Grossa (19h08), Petrópolis (19h03), Contagem (19h14) e Juiz de Fora (19h16)."É o milagre da urna eletrônica. Estamos na vanguarda do processo eleitoral em todo mundo", disse o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Carlos Ayres Britto. O modelo de votação adotado pelo Brasil desperta curiosidade no exterior. Em todas as eleições, observadores estrangeiros vêm acompanhar o processo. No primeiro turno estiveram no Brasil representantes de Moçambique, Quênia, Angola, Costa Rica, Argentina e Palestina.Britto considera possível imaginar que, no futuro, eleitores brasileiros possam votar pela internet. "É um futuro viável", afirmou, mas sem fazer previsões sobre quando o sistema poderia estar disponível.Mais próximo da realidade está o método de votação biométrica. Segundo o ministro, em oito anos o sistema pode estar disponível para todo o País. Por meio dele, os eleitores se identificam na urna pela digital, impossibilitando fraudes. A experiência foi testada em três municípios pequenos no primeiro turno e, segundo Ayres Britto, teve sucesso.OCORRÊNCIASO TSE também divulgou balanços sobre as ocorrências registradas nas cidades onde houve segundo turno. Ao todo, foram computadas 554 ocorrências policiais, sem nenhum candidato preso. Por outro lado, 410 eleitores foram presos, a maioria deles por fazer boca-de-urna, transporte ilegal de eleitores e compra de votos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.