Em telefonema, Dilma parabeniza Haddad pela vitória em SP

Presidente acertou com petista que ele estará em Brasília ainda nesta semana

Tânia Monteiro, de O Estado de S. Paulo

28 de outubro de 2012 | 21h40

BRASÍLIA - A presidente Dilma Rousseff, que se comunicou com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo menos duas vezes neste domingo, 28, durante a apuração dos resultados do segundo turno das eleições, tão logo ficou consolidada a vitória de Fernando Haddad, como prefeito eleito de São Paulo, telefonou para o petista para dar os parabéns pela vitória.

Dilma acompanhou pela televisão e pela internet as apurações das cidades que participaram do segundo turno. Na conversa com a presidente Dilma, já ficou acertado, por exemplo, que Haddad estará em Brasília esta semana, em data ainda a ser definida, e que será recebido em alto estilo e com festa pela presidente Dilma Rousseff, no Palácio do Planalto.

Ao final das apurações, a presidente Dilma comemorou o resultado. A avaliação do Planalto é que, além da importância e da simbologia da eleição de Haddad em São Paulo, quebrando a hegemonia do PSDB na cidade, o governo poderia comemorar o fato de que a oposição teve uma redução de influência no Sul e Sudeste.

Para o Planalto, o resultado das urnas não significou um julgamento do governo Dilma, embora tenham ocorrido derrotas em locais onde o ex-presidente Lula, e a própria presidente, apoiou e participou ativamente da campanha. Mas, essas derrotas, como em Salvador, ressaltam, nada tem a ver com a presidente Dilma.

O governo estava satisfeito, principalmente, com o fato de a oposição ter perdido sua grande vitrine, a capital da maior cidade do país, criando o que estão chamando de "situação muito favorável" para as eleições de 2014, no estado, com a criação de uma chapa que possa derrotar Geraldo Alckmin e a quem ele indicar como seu sucessor.

Na avaliação do Planalto, o arco criado com a eleição de Haddad em São Paulo, aliado a outras cidades importantes no entorno da capital paulista, como São Bernardo, Santo Andre, Guarulhos, entre outras, mostra que "esta foi uma aliança que deu certo", com apoio de Michel Temer.

Para o governo, a aliança está pronta no estado do PT com PMDB e o PSB e que poderá ser fortalecida daqui pra frente com o progresso com as conversas com Gilberto Kassab, que apoiou o tucano José Serra, mas cujo partido se aproximou do Planalto no plano federal.

O Planalto avaliou ainda que, "no geral, não houve uma vitória do discurso de oposição". Apesar da vitória de Arthur Virgílio Neto, em Manaus, grande opositor do governo no Senado e depois, durante a campanha, não houve nenhum destaque da oposição. O governo lembra, inclusive, que o prefeito eleito de Salvador pelo DEM, ACM Neto, chegou a usar uma imagem da presidente Dilma Rousseff, em seu programa eleitoral na sexta-feira. Portanto, estão convencidos de que não houve derrota do governo.

Mas, um ponto terá de ser redimensionado, na avaliação do Planalto: a relação com o PSB. Está muito claro para o governo que o partido de Eduardo Campos irá dar muito trabalho ao palácio e uma nova relação entre os dois terá de ser desenhada.

O primeiro prefeito eleito no segundo turno a receber um telefonema da presidente Dilma foi o deputado Gustavo Fruet, do PDT, que antes, foi o grande denunciador do esquema do Mensalão no Congresso, quando era líder do PSDB. No telefonema, Dilma parabenizou Fruet pela vitória e disse que ele "será um parceiro importante do governo federal". A ligação foi feita pelo ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, um dos articuladores da campanha de Fruet, em Curitiba, junto com sua mulher, Gleisi Hoffmann, ministra chefe da Casa Civil. Até às 20h30, apenas Haddad e Fruet haviam recebido os parabéns de Dilma.

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