Por teleconferência, Julian Assange fala por meia hora na SIP

Com provocações e perguntas, criador do site WikiLeaks deixou mais dúvidas do que respostas

Gabriel Manzano, enviado especial a Lima

17 de outubro de 2011 | 21h52

LIMA, PERU - Bem no seu estilo, o criador do site WikiLeaks, Julian Assange, falou nesta segunda-feira, 17, à Assembleia Geral da SIP por cerca de meia hora, por teleconferência, e deixou mais perguntas do que respostas. Primeiro, não informou nem aos organizadores de onde estava falando. Segundo, fez uma provocação dizendo que, num certo passado, a SIP "era mais parte do problema do que da solução". Mas logo acenou a bandeira branca, dizendo: "Nós, jornalistas, somos todos vigiados, filmados (…) Como nos defender de tanta espionagem? E mais, quem é o receptor do que apuram essas agências de inteligência?" Daí por diante, repetiu a defesa que tem feito, sempre, de seu trabalho - que muitos acusam de oportunismo e até de crueldade, já que ele põe em risco a vida de muita gente com suas revelações. Sustentou que "no Ocidente não há essa ausência de censura, como proclamam". E citou casos em que suas revelações foram ignoradas por grandes órgãos de imprensa da Europa e dos Estados Unidos.

Há editores, disse ele, que admitem não publicar matérias sobre alguns carteis, porque temem por suas vidas. Em causa própria, considerou censura grave a decisão de grupos como Visa, Mastercard, Bank of America e outros grupos de rejeitar seus pedidos pessoais de créditos e financiamentos, "para impedir a empresa de funcionar". Nossa tarefa, finalizou, "é penetrar nesses acordos feitos pelos grandes corporações e fazer uma contraconspiração".

Na mesa da assembleia, em Lima, o diretor Jack Diehl, do Washington Post, lhe perguntou "onde foi parar sua agenda de expor governos corruptos, já que ele apenas expunha governos ocidentais, dos EUA e europeus". Ele discordou, dizendo que publicou sim muitos dados de outros países, mas que "o que quase sempre acontece é que episódios de lugares distantes vão acabar em Londres ou Nova York, onde o dinheiro da corrupção "é depositado ou compra grandes propriedades". José Manuel Calvo, de El País, de Madrid, perguntou-lhe se considerava jornalista ou ativista. "Os dois", respondeu Assange. "Somos jornalistas no trabalho de buscar informação, mas ativistas porque lutamos para publicar o que conseguimos".

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