Por 'reputação' de Campos, PSB quer acesso a depoimentos

Sigla pede ao Supremo teor da delação de Costa para rebater suspeita sobre ex-governador, morto no mês passado

O Estado de S.Paulo

14 de setembro de 2014 | 02h02

O PSB protocolou no Supremo Tribunal Federal um pedido de acesso aos depoimentos do ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa, alvo maior da Operação Lava Jato.

O partido alega que precisa ter acesso à longa série de depoimentos do executivo - no âmbito de delação premiada - para poder rebater a informação de que o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB) estaria entre os beneficiários de esquemas de corrupção na estatal petrolífera.

Campos, que morreu em um acidente aéreo na cidade de Santos (SP) com outras seis pessoas no dia 13 de agosto, não será alvo de investigação.

Testemunha. Mesmo que seu nome tenha sido citado por Costa o ex-candidato a presidente pelo PSB não pode mais ser punido. O ex-governador chegou a ser arrolado como testemunha de defesa de Costa, assim como outros ex-integrantes do governo de Pernambuco.

Mas os advogados do ex-diretor da Petrobrás desistiram do depoimento de Campos.

Segundo a revista Veja, em sua edição da semana passada, Costa citou o ex-governador de Pernambuco entre os envolvidos nos esquemas da Petrobrás ao lado de outros governadores de Estados onde a estatal possui investimentos em refinarias. A revista não cita detalhes sobre o suposto envolvimento de Campos.

"O leitor desavisado não percebe que nenhum fato concreto, nem sequer um mero indício ou pálidos sinais de corrupção emergem da matéria (publicada na revista)", argumenta o advogado do PSB, Antônio Cláudio Mariz de Oliveira, no pedido encaminhado ao ministro Teori Zavascki, do STF.

Zavascki é o relator do caso no Supremo. O caso chegou à instância máxima da Justiça por causa da citação a parlamentares que detêm foro especial.

Dever ético. Mariz de Oliveira pondera que os "citados poderão exercer o sagrado direito de defesa". Mas ele alerta o ministro para o fato de que "o mesmo não ocorre" com o ex-governador e ex-candidato à Presidência. "Sua sentida e prematura morte impede que ele repila toda e qualquer insinuação que se faça em torno de seu nome."

"O PSB sente-se no dever ético e moral de zelar pela ilibada reputação de seu ex-dirigente", afirma Mariz de Oliveira.

"Para tanto necessita tomar conhecimento dos termos e expressões utilizadas pelo sr. Paulo Roberto Costa. Conhecendo o que foi dito, terá o PSB condições de defender a memória de Eduardo Campos, se necessário for", insiste o criminalista.

Mariz de Oliveira assegura que o partido se compromete "a manter os documentos que lhe forem entregues sob sigilo". / F.M. e R.G.

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