‘Por R$ 150 mil não se vende MP nem na feira do Paraguai’

‘Por R$ 150 mil não se vende MP nem na feira do Paraguai’

Líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR) rebate com ironia acusação de delator de que recebeu propina da Odebrecht

Elizabeth Lopes e Luana Pavani, O Estado de S.Paulo

14 de abril de 2017 | 20h58

O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), rebateu com ironia ontem a acusação do ex-diretor de Relações Institucionais da Odebrecht Cláudio Melo Filho de que seu filho, o ex-deputado estadual Rodrigo Jucá (PMDB-RR), teria recebido R$ 150 mil do departamento de propinas da empreiteira na campanha de 2014, quando Rodrigo concorreu como vice na chapa derrotada do então governador de Roraima, Chico Rodrigues (PSB). O peemedebista é suspeito de receber dinheiro em troca da aprovação de medidas de interesse da empreiteira no Congresso Nacional.

“Não tem sentido alguém pensar que vai se vender aqui uma medida provisória por R$ 150 mil. (Por) R$ 150 mil não se vende medida provisória nem na feira do Paraguai”, disse Jucá, em entrevista ao programa Moreno no Rádio, na rádio CBN. “É uma piada dizer um negócio desse e sabendo da relação que tenho com a classe econômica do Brasil. Eu tenho um respeito, eu tenho uma admiração, eu tenho uma relação consistente de discussão econômica com as grandes empresas, as centrais sindicais, todos os setores, porque eu sou respeitado aqui. Jamais eu faria um absurdo desse”, defendeu-se.

Citado em cinco inquéritos, Jucá, que também é presidente nacional do PMDB, está entre os políticos que vão ser investigados pelo Supremo Tribunal Federal (STF), por determinação do ministro Edson Fachin.

“Chegou-se ao cúmulo dizer que eu beneficiei empresas com MPs. Quem fala em compra de MPs não conhece como funciona o governo e o Congresso”, disse o senador ao jornalista Jorge Bastos Moreno, destacando que está tranquilo e espera responder o mais rápido possível a todas as declarações dos delatores.

Jucá afirmou ainda que, como presidente nacional do PMDB, pode dizer que todas as doações às campanhas do partido foram dentro da lei. 

Paradigma. Na entrevista, o líder do governo no Senado disse defender a Operação Lava Jato, sob a alegação de que a investigação mudou o paradigma da política no País, e afirmou esperar que tudo seja mesmo investigado. “Essa é a única forma de resolver a calúnia contra a classe política”, afirmou Jucá. 

Mas o senador também foi irônico ao dizer que não se tratam de delações premiadas, mas de “ficções premiadas” com o intuito dos colaboradores saírem da prisão e irem mais rápido para casa. 

“Quero desmistificar a história da lista do Fachin. O ministro do STF, como homem equilibrado e que age de acordo com a legislação, está dando iniciativa às investigações que a PGR (Procuradoria-Geral da República) julgou necessárias. Fachin não escolheu esses nomes. No seu despacho, ele não entrou no mérito de nenhum pedido”, afirmou, em outro trecho da entrevista, reiterando: “Não tem lista do Fachin, o que há são delatores com motivações distintas, mas não seguidas de provas”.

Renan. Na entrevista, Jucá também foi questionado sobre a atual postura crítica do líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), que tem feito críticas ao governo do presidente Michel Temer. “Ele está entre idas e vindas, e lá atrás já disse que o único caminho para o Brasil era o Michel. Renan é um animal político e está avaliando os caminhos, respeito isso, se ele quer tomar um outro tipo de posição para sobreviver, não podemos pedir para ele fazer suicídio eleitoral”, disse, argumentando, contudo, que a postura do correligionário não se coaduna com a posição de um líder do partido no Senado. E disse crer que essa situação irá se resolver não em discussões pela imprensa, mas pelo diálogo político, no qual “Renan é um expert”.

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