Marcos Corrêa/PR
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‘Por que me afastaria?’, diz ministro do Turismo denunciado por candidaturas laranjas

Álvaro Antonio afirma que não pretende se afastar da pasta; segundo investigação, ele teria articulado esquema de lançamento de candidaturas femininas para acessar recursos do fundo eleitoral

Leonardo Augusto, especial para O Estado de S. Paulo, O Estado de S.Paulo

07 de outubro de 2019 | 17h07
Atualizado 08 de outubro de 2019 | 10h15

BELO HORIZONTE – Denunciado pela Procuradoria Eleitoral de Minas Gerais por suposto uso de candidaturas laranjas na campanha de 2018, o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antonio (PSL), afirmou nesta segunda-feira, 7, que não pretende se afastar do cargo. “Por que me afastaria, se tenho a consciência tranquila? Quem não deve não teme”, afirmou ele, em entrevista à Rádio Itatiaia. 

O ministro disse ainda que não via “problema algum” se for aberta uma segunda investigação sobre suposta prática de caixa 2 – a Polícia Federal sugeriu uma apuração sobre caixa 2 envolvendo o ministro, conforme reportagem publicada ontem a Folha de S.Paulo. “Sempre zelei por observar as regras da lei eleitoral. Portanto, estou absolutamente tranquilo em relação a esses fatos”, disse.

Na sexta-feira, Álvaro Antônio foi denunciado pela Procuradoria e indiciado pela Polícia Federal no inquérito da Operação Sufrágio Ostentação, por falsidade ideológica, associação criminosa e apropriação indébita.

De acordo com as investigações, o ministro, então presidente do PSL de Minas e candidato a deputado federal, articulou um esquema de lançamento de candidaturas femininas sem a intenção de elegê-las, apenas para acessar recursos públicos do fundo eleitoral.

O promotor de Justiça Fernando Abreu, autor da denúncia, admitiu a possibilidade de novas investigações em relação ao esquema, sem dar detalhes. Na entrevista, Álvaro Antonio afirmou que, “se houve algum delito” na campanha, “não passou pela Executiva estadual”. “Se houve algum delito por qualquer um por parte do partido, que se identifique e puna-se individualmente”.

O ministro reclamou por ter sido denunciado, segundo ele, com base na chamada teoria do domínio do fato. “É uma teoria muito cruel.” 

O PSL nacional não retornou os contatos da reportagem.

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