Por que eu quero ser prefeito de São Paulo: Fernando Haddad

Em carta escrita a pedido do 'Estado', petista defende 'reconciliação da cidade da periferia para o centro, e de toda a São Paulo com o Brasil'

Fernando Haddad

27 de outubro de 2012 | 21h14

 

Nos últimos meses, tive a oportunidade de conhecer a fundo a cidade de São Paulo, visitando todas as suas regiões e as suas comunidades. Ao final deste percurso, reafirmo o sentimento que motivou minha caminhada nesta eleição: a necessidade inadiável de reconciliar a cidade em torno de um projeto mais humano e generoso para os paulistanos.

 

A desigualdade social, refletida no desequilíbrio espacial da cidade, impõe um enfrentamento imediato dos seus problemas. Algo que nos possibilite resgatar a dignidade das pessoas que aqui vivem e que possa garantir o pleno exercício da cidadania por todos os moradores do município.

 

Oferecer educação, saúde, transporte e moradia de qualidade é um desafio que a cidade de São Paulo está pronta para enfrentar, com o engajamento de toda a sociedade e a liderança do próximo prefeito, que os paulistanos vão eleger no domingo.

 

Além disso, é preciso liberar a energia criativa da cidade. A pujança de São Paulo, nascida a partir de um colégio em 1554, sempre esteve associada à inteligência que a cidade e seus moradores sempre foram capazes de mobilizar.

 

Mas muito dessa energia encontra-se bloqueada pelo provincianismo de certos setores, pela ausência de diálogo com o projeto de desenvolvimento nacional do Brasil e pela dificuldade de a cidade se encontrar, superando os muros e barreiras construídos ao longo do tempo.

 

É preciso, portanto, reconciliar a cidade de São Paulo.

 

De início, é preciso superar o apartheid social que separa os paulistanos e que condena milhares de pessoas a uma vida inaceitável.

 

É inadmissível que a maior cidade do País e da América do Sul apresente indicadores sociais degradantes e que a maior parte de sua população viva a miséria de uma vida sem nenhuma perspectiva de futuro.

 

E é preciso também reconciliar a cidade de São Paulo com o País. Há dez anos o Brasil vem crescendo, eliminando a miséria e permitindo a ascensão econômica e social de milhares de famílias a partir de ações dos governos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da presidente Dilma Rousseff.

 

Mas muito desse esforço nacional não pode ser vivenciado na cidade de São Paulo pela visão estreita daqueles que colocam seus interesses pessoais e políticos acima dos interesses da população paulistana. É hora de reconciliação. Da periferia para o centro. E de toda a São Paulo com o Brasil.

 

Quem é Fernando Haddad. Com cinco livros publicados, mestrado em Economia e doutorado em Filosofia, Fernando Haddad concorre pela primeira vez a um cargo eletivo. Mas, antes da vida acadêmica e da política, ele trabalhou como vendedor na Mercantil Paulista de Tecidos.

 

A loja era mantida por seu pai, o libanês Khalil Haddad, que casou com Norma Thereza em 1947, com quem teve três filhos: Priscila, Lúcia e Fernando, nascido em 25 de janeiro de 1963, no dia do aniversário da cidade de São Paulo. A família se mudou seis anos depois para o Planalto Paulista, na zona sul, onde Haddad costumava jogar em campos de várzea.

 

No ensino fundamental, estudou no colégio Ateneu Ricardo Nunes. A partir de 1978, cursou o ensino médio no Colégio Bandeirantes e, em 1981, ingressou na Faculdade de Direito do Largo São Francisco. Conciliando os estudos com o trabalho, Haddad guardava na sobreloja os livros que tinha de ler.

 

No terceiro ano da faculdade, iniciou sua atuação na militância estudantil. Tornou-se presidente do Centro Acadêmico 11 de Agosto em 1984, participando das passeatas e comícios do movimento Diretas Já.

 

Conhecido como Dandão na juventude, casou-se com Ana Estela em 1988, com quem tem dois filhos. Após terminar mestrado e doutorado, Haddad tornou-se professor do departamento de Ciência Política da USP em 1997.

 

Atuou no ramo da incorporação e construção, em sociedade com o cunhado, o engenheiro Paulo Nazar e virou consultor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas em 1998.

 

A passagem para a política ocorreu ao assumir como chefe de gabinete da Secretaria de Finanças na gestão Marta Suplicy em 2001. Em 2003, passou a integrar a equipe do Ministério do Planejamento. Foi ministro da Educação nos governos Lula e Dilma. Nos tempos do ministério, aprendeu a lutar tae kwon do, hoje uma espécie de terapia.

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