José Patrício/Estadão
José Patrício/Estadão

'Por que eu bati panela'

Protesto durante pronunciamento de Dilma foi convocado por redes sociais, mas muitos aderiram no meio do barulho

ROLDÃO ARRUDA, O Estado de S.Paulo

10 de março de 2015 | 02h01

O advogado Pedro Castro, de 51 anos, não sabia de nenhum protesto programado contra a presidente Dilma Rousseff, no domingo. Mas, assim que o pronunciamento dela iniciou e os seus vizinhos na Vila Leopoldina, bairro de classe média na zona oeste de São Paulo, começaram a bater panelas, buzinar e gritar, ele entendeu. "Peguei um pedaço de ferro e uma colher e também comecei a bater", disse ele ontem ao Estado. "Acho que para muita gente foi a mesma coisa, uma manifestação intuitiva. Não foi de ódio, mas de indignação. Contra o alto índice de corrupção no País", afirmou o advogado.

Castro, que é casado e tem três filhos, não vota no PT. Na avaliação dele, o partido não cumpre as promessas que faz.

"Nas eleições o PT fala em combate à corrupção, mas depois não faz nada e fica dizendo que a corrupção existia há muito tempo. Pode ser, mas isso não justifica o fato de continuar e até aumentar", afirmou.

Sobre a presidente Dilma, o advogado disse: "Prometeu crescimento sem aumentar impostos. Mas a política que está adotando não vai nessa direção."

O empresário Rodrigo Vedovato, de 38 anos, morador do Morumbi, bairro de classe média alta, já sabia do protesto no domingo e estava preparado. Assim que a presidente Dilma começou a falar, ele e a mulher começaram a bater panelas. "Eu soube pela internet, pelos compartilhamentos de amigos no Facebook", contou.

Dono de uma empresa de marketing digital, Vedovato não estranhou os xingamentos, com palavras de baixo calão, dirigidos contra Dilma. "Eu ouvi muitos xingamentos. Acho que isso só demonstra que esse governo perdeu o respeito", disse.

Sobre o pronunciamento de Dilma, afirmou: "Ela ofendeu a minha inteligência. Ela deve morar em outro lugar que não é o Brasil."

Indagado sobre as causas que o levaram a aderir ao protesto, listou a corrupção, a falta de transparência e de credibilidade e a inflação. "Eu faço as compras no mercado e de um ano para cá senti um aumento considerável no valor da conta, algo que beira a 50%", disse.

Vedovato, assim como o advogado Pedro Castro, pretende participar do protesto programado para o dia 15 e é favorável ao impeachment da presidente. "Sou favorável, porque demonstraria ao mercado que houve uma mudança, mas não resolveria todos os problemas."

O advogado Renato Vicente, de 50 anos, casado, com três filhos, também não sabia do protesto. Mas quando ouviu o panelaço nas janelas de seus vizinhos no Sumaré, bairro de classe média, resolveu apoiar: "Comecei a apagar e a acender as luzes, para incentivar".

Vicente disse que nunca gostou do PT e que não perdoa Dilma pelos casos de corrupção. "Ela é, no mínimo, conivente. Sou a favor do impeachment. Eu gostaria que todos os políticos que estão aí saíssem dos seus cargos, começando por ela."

Os três entrevistados manifestaram algum grau de desconforto em relação à atuação do Judiciário. Para Pedro Castro, o ideal seria mudar a forma de indicação dos ministros do Supremo Tribunal Federal. "A indicação não pode ser feita mais pela Presidência da República", afirmou.

Renato Vicente disse que olha o STF com desconfiança, uma vez que quase todos os seus ministros que estão na ativa foram indicados pelos governos petistas. E Rodrigo Vedovato mencionou "a falta de comprometimento do Judiciário com as leis, deixando-se levar pelas pressões políticas".

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