Análise: por que as legendas são importantes

Análise do professor de ciência política da USP

Glauco Peres*, O Estado de S. Paulo

08 Janeiro 2018 | 03h00

Não existe democracia moderna sem a presença de um sistema partidário. São os partidos que organizam as eleições, que fazem propostas de governo, que mobilizam eleitores. Por isso, é o conjunto deles, formando um sistema, o que traz previsibilidade eleitoral a uma democracia. No caso brasileiro, as repetidas disputas a presidente por PT e PSDB desde 1994 criaram a previsibilidade citada. Em qualquer momento, esperávamos que representantes de cada um deles participassem da eleição para presidente com chances reais de vitória. Os demais partidos reagiam a essa informação em suas estratégias eleitorais.

A força dessa previsão escoava para as disputas estaduais. As coligações nacionais influenciavam aquelas nas quais PT e PSDB participavam nos Estados e os demais partidos seguiam. As disputas para governos estaduais e Senado estavam sob esta lógica. Porém, desde 2014, PT e PSDB perderam a capacidade de organizar o sistema político-eleitoral. Não se espera com a mesma confiança que sejam eles a disputar o segundo turno da próxima eleição a presidente. Com isso, os demais partidos adaptam-se e acreditam ter mais chances de vencer, até mesmo nas disputas estaduais.

Por esta razão, novidades são esperadas nos pleitos estaduais. Somando à descrença popular na política em geral, os partidos buscarão mostrar ser diferentes. Novas siglas, novos candidatos e até não políticos serão apresentados. Resta saber o quanto de novo há na novidade e como a democracia brasileira reagirá.

*PROFESSOR DE CIÊNCIA POLÍTICA DA USP.

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