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Temer confia em vitória e quer julgamento no TSE antes de novas delações

O melhor seria 'tirar da frente' o problema na corte eleitoral o quanto antes, dizem aliados do presidente

Vera Magalhães, O Estado de S.Paulo

17 de maio de 2017 | 05h00

Se antes a ideia era protelar enquanto fosse possível o julgamento da ação que pede a cassação da chapa Dilma-Temer, a definição da data para que o TSE decida sobre o pedido para daqui a três semanas mostra uma mudança de perspectiva e de estratégia.

A primeira passou a ser de um placar favorável à tese do presidente de que é preciso separar as condutas dele e da ex-companheira de chapa. Pelas contas do Planalto e de integrantes da corte, hoje haveria boa chance de um placar de 5 votos a 2 no tribunal a favor da punição apenas de Dilma, que teria a responsabilidade sobre a arrecadação e os pagamentos dos fornecedores da campanha de 2014.

Contribui para a tese da defesa, no entendimento de ministros e advogados, a diferenciação feita pelo próprio Ministério Público, que recomendou a perda dos direitos políticos de Dilma, mas não de Temer.

Se a perspectiva passou a ser favorável, principalmente devido à nova composição do TSE, com a nomeação de dois novos ministros pelo próprio Temer nos últimos meses, a estratégia também sofreu uma guinada em razão do que está por vir.

No Palácio é vista com extrema preocupação a provável delação de executivos do grupo JBS, Joesley Batista à frente. Ela pode suscitar novas acusações sobre o comando político do PMDB, Temer à frente, e sobre o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, que foi executivo do banco Original, do grupo.

Assim, o melhor seria “tirar da frente” o problema no TSE o quanto antes, dizem aliados de Temer. E, se possível, aprovar as reformas antes de mais esse turbilhão que pode atingir a equipe econômica.

TSE 1

Defesa de Temer levará memoriais aos ministros

O advogado do presidente no TSE, Gustavo Guedes, pediu audiências com os sete ministros para entregar os memoriais finais. O foco será nos novos ministros, Admar Gonzaga e Tarcísio Vieira de Carvalho Neto, que não receberam as peças anteriores.

TSE 2

Apelo à estabilidade política integra argumentação final

Embora aliados do presidente avaliem que nenhum ministro justificará seu voto pela necessidade de manter a estabilidade política do País, evitando a segunda troca de presidente em um ano, esse argumento fará parte das alegações finais da defesa.

STF

Planalto avalia que maioria será contra investigação já

Temer se reuniu com assessores ontem para discutir a decisão do ministro Luiz Fux de levar ao plenário do Supremo a ação do PDT que contesta a imunidade constitucional temporária, prevista na Constituição e pela qual o presidente não pode ser processado por fatos anteriores ao mandato. Assessores do presidente disseram que haveria óbices à investigação, mesmo que não houvesse processo, pela proteção ao cargo. O entorno de Temer não demonstra muita preocupação com esse novo flanco.

DOIS EM UM

Dobradinha Palocci-Duque vira pesadelo do PT

Se a delação premiada de Antonio Palocci já tira o sono da cúpula do PT, a possibilidade de que termos e anexos que serão entregues sejam negociados em conjunto com o ex-diretor da Petrobrás Renato Duque é motivo para pesadelos piores. A defesa de Lula já se prepara para contestar no STF as delações e pedir que não sejam homologadas caso se confirme negociação casada.

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