Rafael Arbex/Estadão
Rafael Arbex/Estadão

Por governo, Doria aposta na discrição

Após ‘queimar a largada’ na corrida pela Presidência, prefeito adota tom moderado para se cacifar como candidato do PSDB ao Bandeirantes

Pedro Venceslau , O Estado de S.Paulo

12 Dezembro 2017 | 05h00

Após desistir de disputar o Palácio do Planalto e anunciar no sábado, 9, seu “apoio incondicional” à pré-candidatura do governador Geraldo Alckmin, o prefeito João Doria adotou uma estratégia discreta para tentar ser o candidato tucano ao governo paulista em 2018. Os dois nomes que já se apresentaram formalmente para a disputa no PSDB – o sociólogo Luiz Felipe D’Ávila e o secretário de Desenvolvimento Social, Floriano Pesaro – estiveram com o prefeito e foram sondados sobre uma possível composição no ano que vem. 

Interlocutores de ambos disseram que Doria mais ouviu do que falou, mas deixou clara sua intenção. Desta vez, porém, o prefeito tomou cuidado para não “queimar a largada”. Doria espera que uma eventual indicação para a sucessão de Alckmin ocorra “por gravidade”. Ou seja: vai adotar o estilo do governador de “jogar parado”. Vai também dar demonstrações contundentes de lealdade ao padrinho e se engajar no projeto presidencial dele.

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Viagens estão descartadas. A única que deve ocorrer no primeiro semestre de 2018 será para o Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, em janeiro. Alckmin e o presidente Michel Temer também deverão estar presentes no evento. Declarações públicas sobre a eleição paulista serão evitadas, bem como movimentos ostensivos de assédio às bases tucanas no interior.

Auxiliares trabalham com os dois cenários na Prefeitura, mas já não descartam que, se não houver um gesto de Alckmin, Doria pode ficar no cargo e terminar seu mandato. 

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O prefeito defendeu na convenção do PSDB, realizada em Brasília no fim de semana passado, que uma eventual prévia entre Alckmin e o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio, ocorra em janeiro, e não em março como pede o tucano manauara.

“Hoje o PSDB tem quatro pré-candidatos em São Paulo: João Doria, (o senador) José Serra, D’Ávila e Pesaro. A decisão só será tomada depois de resolvido o cenário nacional”, disse o deputado estadual Pedro Tobias, presidente do PSDB paulista.

Pressa. O dirigente quer antecipar ao máximo a escolha, assim como o prefeito – já os adversários nem tanto. “Não tenho pressa para fazer a prévia em São Paulo. Primeiro é preciso compor nacionalmente o arco de alianças do Geraldo”, disse Pesaro.

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Quando questionado sobre uma eventual disputa estadual, Doria tem respondido com a cautela que não teve em declarações anteriores sobre seu futuro político. “Sou candidato a prefeito da cidade de São Paulo, a prosseguir fazendo meu trabalho, como prefeito eleito com 3 milhões de votos.”

Nesse xadrez interno, o principal adversário do prefeito agora é Serra, que está se movimentando em duas frentes. Mira no governo, mas não abandonou o sonho de disputar o Palácio do Planalto. Ambos, Doria e Serra, convergem na avaliação de que qualquer articulação será inútil. A palavra final será de Alckmin, e só dele. 

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