Por Genoino, Carvalho recorre a STF e diz que não se pode 'brincar com a vida'

Chefe da Secretaria-Geral da Presidência, petista afirmou ter recorrido a ministros da Corte para conseguir autorização para tratamento de deputado, em observação após passar mal na prisão

Clarissa Thomé - O Estado de S. Paulo

22 de novembro de 2013 | 11h52

Rio - O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho (PT), disse nesta sexta-feira, 22, que a família e os companheiros do Partido dos Trabalhadores (PT) estavam chegando "às raias do desespero" na quinta-feira, 21, antes da internação do deputado federal licenciado José Genoino, um dos presos condenados por envolvimento no mensalão. Ao comentar a situação do ex-presidente do PT, Carvalho disse que não se pode "brincar com a vida".

Genoino passou por uma cirurgia no coração em julho e na tarde dessa quinta-feira, 21, passou mal no Complexo Penitenciário da Papuda, onde está preso desde a semana passada. Ele foi encaminhado ao Hospital das Forças Armadas e está sob observação. Horas depois, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, liberou o deputado para tratamento fora da prisão.

Carvalho afirmou que pediu a interferência de ministros do Supremo para que Joaquim Barbosa concedesse autorização para o tratamento de Genoino. "Estávamos absolutamente tensos porque quem tem acompanhado a saúde do Genoino sabia que ele estava em uma situação muito difícil. Junto com a família estávamos chegando às raias do desespero, a ponto de falarmos com vários outros membros do Supremo pedindo que nos ajudassem nessa questão. Não é possível que um país democrático como o Brasil pudesse perder uma pessoa dessa maneira. A vida dele estava em risco", disse.

O ministro petista comemorou o fato de Genoino estar em tratamento, mas evitou defender claramente em favor da prisão domiciliar para o companheiro de partido. "Não vou me expressar sobre o que é conveniente. Tudo indica que ele tem essa possibilidade da prisão domiciliar para ser tratado. A nossa esperança é que prevaleça o bom senso, mas não entro nesse mérito porque esse mérito é do STF e tem que ser respeitado."

O ministro insistiu que não se pode "brincar com a vida". "Ainda mais de uma pessoa que deu sua vida pelo país. Ele nunca se apropriou de nada para ele e chega à idade em que está sem ter nenhuma posse, nenhuma acumulação. Ao contrário, é referência de ética para nós."

Pizzolato. O ministro se recusou a comentar a fuga do ex-diretor do Banco do Brasil Henrique Pizzolato, até agora o único condenado pelo mensalão foragido. Também não quis falar sobre as queixas feitas por Pizzolato a amigos de que teria sido abandonado pelo PT e, por isso, optara pela fuga para tentar se defender em um novo julgamento na Itália.

"Eu não posso falar nada sobre o Pizzolato porque não estava próximo a ele. Não o acompanhei, não o vi nos últimos tempos, não posso falar desse caso." Carvalho afirmou que não pode dizer que tenha ficado surpreso com a fuga do ex-diretor. "Ele já tinha viajado para a Europa".

Carvalho está no Rio de Janeiro para a inauguração do polo de reciclagem de Gramacho, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, onde trabalharão ex-catadores que atuavam no lixão fechado no ano passado.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.