Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Por ‘Fora Dilma’, grupo promete andar mais de 1 mil km

Com pouco mais de 20 pessoas, Movimento Brasil Livre vai andar até Brasília para protocolar pedido de impeachment

Valmar Hupsel Filho, O Estado de S. Paulo

24 Abril 2015 | 14h30

Texto atualizado às 22h20

SÃO PAULO - Com tênis confortáveis nos pés e bandeiras e cartazes nas mãos, pouco mais de 20 integrantes do Movimento Brasil Livre, um dos grupos que lideraram os protestos anti-Dilma de março e abril, iniciaram nesta sexta-feira, 24, uma caminhada de mais de mil quilômetros entre São Paulo e Brasília. Apesar da baixa adesão na saída, eles pretendem juntar gente suficiente no caminho para, 33 dias depois, dar força ao pedido que pretendem protocolar quando chegarem à capital federal: o impeachment da presidente da República. A estrutura da marcha é composta de um ônibus para transportar objetos pessoais, água e comida.


A quantidade de gente no início da caminhada, batizada por eles de Marcha da Liberdade, foi inferior às expectativas das principais lideranças do movimento, que estimavam cerca de 60 pessoas. Um dos líderes do MBL, o empresário Renan Santos, de 31 anos, minimizou o fato, afirmando que a adesão deve aumentar no trajeto. O foco, segundo ele, é garantir grande adesão na chegada na capital federal. “Já temos 116 caravanas confirmadas para o ato em Brasília”, disse. 


O grupo pretende organizar atos públicos e discursos nas cidades por onde vão passar. Já estão agendados eventos em Jundiaí, Vinhedo e Campinas. A ideia é arregimentar andarilhos pelo caminho para percorrer trechos da caminhada, mas há gente, como a desempregada Raquel Pereira, de 27 anos, que promete cumprir todo o trajeto. “Vim de Cascavel, no Paraná, para mudar o Brasil”, disse. 


Kim Kataguiri, outro líder do MBL, define a caminhada como o “segundo passo” após as manifestações de rua. “Acreditamos que já conseguimos diminuir poder da presidente, mas as grandes mudanças aconteceram no centro do poder. Por isso, estamos indo para lá.” 

Adeptos. Um importante passo para o movimento, entretanto, foi dado na véspera do início da caminhada. Integrantes do grupo se reuniram em Brasília com parlamentares de oposição e saíram do Congresso com apoio público do PPS, DEM e Solidariedade, que se prontificou a pagar o aluguel do ônibus que dará suporte aos andarilhos, segundo o deputado federal Paulinho da Força (SP). 

A aproximação dos movimentos com parlamentares - em contradição ao discurso inicial em defesa de protestos apartidários - foi comemorada por ambos os lados. Ontem, o deputado Roberto Freire (PPS-SP), um dos que receberam o MBL em Brasília, publicou no Twitter seu apoio à marcha. “Vamos mobilizar todos partidos de oposição e oposicionistas de todos partidos para a Marcha e o ato em BSB”, escreveu. 


Logo após a reunião, ainda na quinta, o PPS divulgou nota de apoio em que conclamava a participação de membros do partido e simpatizantes na caminhada “para juntos fazermos valer nossa indignação contra um governo marcado pela corrupção e pela incompetência”, diz o texto.


Freire, entretanto, diz que é preciso cautela com relação ao pedido de impeachment. “É preciso a análise de uma correlação de forças para isso (impedimento). O principal deles é a ingovernabilidade do governo, o que, neste momento, não existe.” 


Outro parlamentar que declarou apoio à marcha, mas que é reticente com relação ao impeachment, é o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS). Ele diz que pretende participar de um trecho da caminhada, mas destaca que o ato e o pedido de impeachment “são duas coisas diferentes”. “Temos uma série de questões políticas, mas ainda não temos algo que possa alavancar politicamente”. 


O apoio parlamentar mais incisivo é do senador Ronaldo Caiado (DEM-GO), que defende publicamente o impedimento da presidente da República. Caiado deu conselhos a Renan por telefone, para que o integrante do MBL dialogue com lideranças políticas locais por onde passarem. “É bom lembrar que quem autoriza a abertura de um processo de impeachment são os deputados e quem julga os pedidos são os senadores”, disse o senador, que garantiu forte recepção aos integrantes da marcha, em Goiânia, seu reduto político. 

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