Por falta de verbas, Iuperj pode fechar as portas

O Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj), centro de excelência acadêmica que forma 20 doutores por ano e reúne especialistas em ciência política e sociologia, está ameaçado de fechar as portas por falta de verba. Os professores não recebem salários há dois meses e, por isso, a direção teme que eles aceitem propostas de outras universidades e deixem o Iuperj."Estamos com medo que o instituto comece a se esvaziar e acabe fechando por isso. Na semana passada, um professor deixou o instituto e outros dois receberam propostas. Conseguimos convencê-los a ficar, mas isso pode voltar a acontecer se a situação não se normalizar", explica Adalberto Cardoso, diretor-científico do Iuperj que ocupa o cargo de diretor-geral interinamente. O Intituto é financiado pela Universidade Cândido Mendes, que, por causa de dificuldades financeiras, atrasa os salários de quem ganha mais de R$ 2 mil desde setembro do ano passado. A universidade divulgou nota explicando que o atraso ocorre por causa da grande inadimplência de seus alunos. "As previsões de escalonamento são rotinas consoantes ao desencaixe mensal das entradas de pagamento do alunado, em recorrente inadimplência e só obrigado por lei a pagar seus débitos ao fim de cada semestre", diz a nota enviada à imprensa pela assessoria do reitor Cândido Mendes.Convênios com o governoPreocupada com a saída dos professores, a direção do Iuperj está tentando achar saídas para reduzir a dependência financeira da Cândido Mendes (a universidade repassa anualmente R$ 3,8 milhões dos 4,5 milhões necessários para a sobrevivência do instituto). Uma proposta é tentar firmar convênios com governos. Em troca de financiamento, o Iuperj poderia fazer projetos e dar consultoria. Segundo Adalberto Cardoso, duas propostas já estão sendo estudadas - um acordo com a Prefeitura do Rio de produzir pesquisas sobre a cidade e um convênio com o Ministério da Ciência e Tecnologia. "Estamos negociando com a Cândido Mendes formas de conseguir mais liberdade e, no futuro, firmar acordos em troca de pesquisas. Essa seria a solução para conseguir criar uma fonte de renda constante e reduzir os riscos de fechamento."Se der certo, o diretor-científico acredita que o Iuperj vai continuar a manter o ensino gratuito dos 200 alunos de mestrado e doutorado. "O mais importante é manter a vocação de mecenas da instituição e garantir que os alunos não precisem pagar para estudar", disse Cardoso. Ontem, os alunos e professores fizeram um "debate-protesto" na Fundação Casa Rui Barbosa (Botafogo, zona sul) para discutir as várias propostas de autofinanciamento.

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