Por discurso único, PSDB desiste de novas eleições

Depois de uma intervenção direta do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para unificar o discurso o PSDB, a legenda fez ontem um ajuste político e decidiu que não defenderá mais a realização de novas eleições como saída para crise.

Pedro Venceslau , / , BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

19 de agosto de 2015 | 02h01

Os tucanos definiram ontem no Congresso uma nova retórica baseada em três pontos: insistir que a solução da crise política será pela Constituição; defender a "blindagem" do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Tribunal de Contas da União (TCU), onde tramitam processos contra a presidente Dilma Rousseff, e defender a renúncia, mas sempre ressaltando que isso seria "um gesto de grandeza" - como definiu FHC em mensagem publicada anteontem na sua página no Facebook.

Ainda anteontem, um dia depois de novas manifestações levarem milhares de pessoas às ruas do País para pedir o impeachment de Dilma, o ex-presidente reuniu em um almoço no seu apartamento, em São Paulo, o governador Geraldo Alckmin e o senador Aécio Neves, presidente nacional do PSDB. O ex-presidente também

fez consultas ao senador José Serra (SP).

Ontem pela manhã na sede do partido, em Brasília, o Grupo de Análise Estratégica da sigla endossou a estratégia. Formado por integrantes de todas as correntes do PSDB, o grupo foi criado justamente para buscar consensos e definir a linha de ação tucana de forma ágil.

Na saída da reunião, o líder do partido no Senado, Cássio Cunha Lima (PB), fez uma autocrítica sobre sua fala defendendo a realização de novas eleições, feita durante uma entrevista coletiva na semana passada. "Não fui feliz naquela declaração. Faltou clareza.

Faltou amarrar o raciocínio."

A defesa senador sobre as novas eleições, tese que foi apoiada pelo líder do PSDB na Câmara, Carlos Sampaio (SP), desencadeou uma forte reação interna no PSDB, especialmente no núcleo paulista do partido.

O governador Geraldo Alckmin e o senador José Serra desautorizaram a radicalização e deixaram o partido na iminência de um racha. "O texto do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso unificou o partido e pacificou o discurso. Essa linha deve orientar o PSDB", disse o secretário-geral tucano, deputado Silvio Torres (SP).

Além de Cunha Lima, Sampaio e Torres, fazem parte do grupo o ex-governador Alberto Goldman, vice presidente do partido e o deputado Bruno Araújo, líder da minoria na Câmara.

Síntese. Coube a Aécio expor a síntese do novo discurso tucano em uma entrevista coletiva no Senado. "A solução (para a crise) será pela Constituição. Daremos prioridade a blindagem dos tribunais contra qualquer tipo de constrangimento. Não vamos permitir que haja qualquer tentativa, como noticiam vários veículos de imprensa, de manietar os tribunais", afirmou o senador mineiro.

O senador disse se reunirá nos próximos dias com juristas ligados ao PSDB e dirigentes do demais partidos de oposição para definir que medidas serão tomadas na sequência das manifestações do TCU e do TSE.

Sobre os pedidos de impeachment que estão parados na Câmara, a legenda defende em bloco que apoiará a iniciativa, mas não tomará a dianteira do processo.

Não fui feliz naquela

declaração

(na qual defendeu novas eleições

. Faltou clareza.

Faltou amarrar o

raciocínio"

Cássio Cunha Lima (PB)

LÍDER DO PSDB NO SENADO

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