GILSON FERREIRA/ESTADAO
GILSON FERREIRA/ESTADAO

Por dentro da casa dos mandatários

‘Estado’ tem acesso ao interior da ala residencial do Palácio dos Leões, sede da administração do Estado do Maranhão

O Estado de S. Paulo

03 de maio de 2015 | 05h00

Decoradores que tiveram acesso ao interior do Palácio dos Leões, sede administrativa e residência oficial dos governantes do Maranhão, dizem que as adegas climatizadas para centenas de garrafas de vinho, salão de beleza e até uma cama com ajustes elétricos incorporados com o tempo não combinam com o mobiliário estilo clássico francês dos séculos XVIII e XIX. 

O contrate que salta aos olhos de quem visita o interior do palácio, porém, é do luxo disponível aos mandatários maranhenses em comparação à miséria do Estado, que tem o segundo pior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do País, à frente apenas de Alagoas. 


O atual governador Flávio Dino (PC do B), que venceu o clã Sarney nas eleições do ano passado, reluta em se mudar para o local. Ele ordenou que as estruturas fossem desmontadas e ainda estuda qual destino será dado às peças dos antecessores. 

Roseana Sarney, última moradora do local, afirma que praticamente tudo já estava lá quando foi governadora – ela teve um primeiro mandato de 1995 a 2002; depois governou de 2009 a 2014.


História. O primeiro registro de edificação no local é de 1612, quando os franceses construíram ali o Forte São Luís, em homenagem ao rei Luís IX, que até hoje dá nome à capital maranhense. Três anos depois, quando os portugueses expulsaram os franceses, o nome foi alterado para Forte São Felipe. Desde 1624, o local serve de moradia para governadores e sede do governo. 

Além da importância arquitetônica, o Palácio dos Leões guarda rico acervo artístico no qual se destaca a coleção de 18 mil gravuras do escritor maranhense Artur Azevedo comprado pelo governo do Estado em 1910, dois anos depois de sua morte. 

Segundo registros, a coleção inclui reproduções de obras de mestres da pintura como os holandeses Rembrandt e Peter Rubens e do espanhol Diego Velásquez. As obras, no entanto, estão desaparecidas. Desde a posse de Dino, a curadoria do palácio executa um trabalho de catalogação e restauração do acervo. 

Além das gravuras, se destacam pinturas de artistas brasileiros como Victor Meireles e Antonio Pereira. 

Enquanto não decide se vai se mudar para o palácio, o atual governador já usou o local para receber políticos importantes como o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB). Na quinta-feira passada, foi surpreendido por assessores e parentes com uma festa pelo seu aniversário de 47 anos nos jardins do local, de onde se pode avistar as palafitas miseráveis da Ponta da Areia. 

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