Por CPMF, governo exige fidelidade dos 51 senadores da base

Em reunião do conselho, ministro quer empenho dos presidentes dos partidos; CPMF precisa de 49 votos

Leonencio Nossa, do Estadão,

08 de novembro de 2007 | 19h36

O Palácio do Planalto exigiu nesta quinta-feira, 8, dos 51 senadores governistas fidelidade no processo de votação da emenda que prorroga a vigência da CPMF até 2011. Em reunião do Conselho Político no Palácio, o ministro de Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia, recomendou aos presidentes de partidos que se empenhem para que seus senadores tenham a mesma atitude dos deputados da base, que aprovaram na Câmara o imposto do cheque. "Não estamos aqui para cobrar, mas para sintonizar", disse o ministro, segundo participantes do encontro. Veja também:  Entenda como é a cobrança da CPMF  Governo tem mais que o suficiente para votar CPMFSerra acha 'inaceitável' ficar sem CPMF Veja a proposta do governo sobre a CPMF apresentada ao PSDB PSDB encerra negociação e decide votar contra CPMFPSDB recusa proposta do governo de isentar CPMF até R$4.340Governo atacará no 'varejo' para conseguir votar CPMFPMDB fecha a favor da CPMF; Renan se abstém em decisão  Durante a reunião que durou duas horas, o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), observou que "em tese" o Planalto tem 51 votos para aprovar a CPMF. Ele excluiu da conta, no entanto, dissidentes como os senadores Cristovam Buarque (PDT-DF), Jefferson Péres (PDT-AM), Mão Santa (PMDB-PI) e Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE). Por outro lado, os líderes governistas avaliaram, no encontro, que também ocorrerão dissidências do lado da oposição. Eles chegaram a afirmar que três senadores do PSDB, partido que fechou questão contra o tributo, devem ser favoráveis à proposta no plenário.Mares Guia negou, em entrevista após o encontro, que o governo fará represálias aos senadores aliados que votarem contra o imposto do cheque. Ele ressaltou, porém, que o governo cobra dos partidos aliados posição fechada a favor do tributo. "O fechamento de questão é político, não é punitivo", afirmou. "Não vamos ameaçar ninguém, porque temos garantia da convicção destes senadores em relação à importância da CPMF."Há três semanas, o governo diz que tem 49 votos favoráveis à proposta de prorrogar a CPMF. Até agora, no entanto, os líderes aliados e ministros da articulação política se empenham nas negociações com senadores da oposição e mesmo da base do Planalto, numa demonstração, segundo articuladores da Presidência, de que a certeza de aprovar o tributo não é tanta assim.Na entrevista desta quinta-feira, o ministro de Relações Institucionais também repetiu que o governo conta com os votos suficientes para aprovar a prorrogação da CPMF. A uma pergunta se o governo, então, não precisava mais dos votos do PSDB, ele respondeu: "Precisamos de todo mundo". "Vocês (jornalistas) é que estão dizendo que (o governo) não precisa, tanto precisa que eu estou procurando", afirmou. "Não queremos fazer política de, por termos a maioria, desconhecer a oposição." Mares Guia disse que o governo tem votos suficientes para aprovar a proposta da CPMF na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, na próxima terça-feira. Ele informou que, nos próximos dias, divulgará levantamento mostrando que o dinheiro do imposto que muitos Estados recebem é superior às demais receitas. Esta seria a situação, por exemplo, de Tocantins. Quanto à atuação dos governadores tucanos José Serra, de São Paulo, e Aécio Neves, de Minas, nas negociações, o ministro respondeu: "Eles estão empenhados em ajudar". 

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