Por 40 a 35, Renan escapa da cassação e Senado segue em crise

Em clima tenso, mas protegido por sessão e votos secretos, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), foi absolvido ontem pelo plenário - por 40 votos a 35 - da acusação de ter contas pessoais pagas por um lobista. Outros 6 colegas se abstiveram no julgamento por quebra de decoro parlamentar.Temendo que os outros dois processos e uma representação contra o alagoano esfriem, a oposição insistiu que ele não pode presidir o Congresso e ameaçou derrubar a CPMF. "O calvário não é só dele, agora é nosso", reagiu Demóstenes Torres (DEM-GO).Renan, que na sessão bateu boca e fez ameaças, deixou o Senado aliviado: "Vou para a igreja rezar." Seguiu, porém, para um encontro com José Sarney (PMDB-AP) e aliados. Depois, por nota, falou em "decisão madura" e "vitória da democracia".A salvação do mandato teve a ajuda do Planalto e do senador Aloizio Mercadante (PT-SP), mas com preço definido - deve se licenciar e entregar o cargo ao vice-presidente, Tião Viana (PT-AC). Já Lula soube do desfecho do caso quando tomava café com a rainha da Dinamarca, Margrethe II, em um castelo.Foi um dia de tumulto. Antes da votação, houve troca de socos entre deputados e seguranças. Ao final, veio a reação da sociedade, por entidades como a CNBB. E a crise continua - além das novas denúncias, Renan ainda é alvo de inquérito no STF.

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