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Por 2022, Ciro Gomes tenta criar programa contra racismo

Ex-ministro discute pauta para combater desigualdade racial no País; pedetista tem agenda no Rio

Caio Sartori, O Estado de S.Paulo

12 de julho de 2021 | 05h00

O ex-ministro e presidenciável Ciro Gomes (PDT) vai nesta segunda-feira ao Morro da Mangueira, um dos símbolos do samba carioca, em busca de um programa de combate ao racismo. O pedetista almoçará na comunidade com o babalawô Ivanir dos Santos, personagem dos debates sobre religiões de matriz africana e intolerância religiosa, e outros representantes do movimento negro. A ideia é que Ivanir, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ajude a coordenar um programa nacional de combate à discriminação racial. 

O Estado registra recorrentes ataques a cultos afro-brasileiros, além de ações policiais violentas em áreas pobres, predominantemente habitadas por pretos e pardos. “O Rio é uma espécie de síntese do Brasil. Além disso, Ciro teve a segunda maior votação da cidade em 2018 e temos candidato forte ao governo estadual”, afirma o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi.

Ciro tem mesmo motivos para cultivar com extremo cuidado o eleitorado carioca. Na capital fluminense, teve 19,5% da votação para presidente em 2018. Foram 645.674 votos, quase 250 mil a mais que Fernando Haddad, do PT. No Estado, Ciro também venceu o petista, mas por menos de 45 mil votos.

O ex-ministro agora investe na memória que o eleitorado tem de seu nome para tentar novamente a Presidência. Ele também vai a Duque de Caxias, município da Baixada Fluminense com cerca de 1 milhão de habitantes, para dar posse ao novo diretório do PDT. Em Niterói, governada pelo prefeito Axel Grael (PDT), receberá a medalha José Clemente Pereira.

O partido começa a preparar o ex-prefeito de Niterói, Rodrigo Neves, para a disputa estadual. Neves deixou o cargo bem avaliado, conseguiu eleger seu sucessor e é apontado como candidato ao Palácio Guanabara com bom potencial de votos e palanque forte para Ciro no Estado. Além dele, há na oposição o deputado federal Marcelo Freixo (PSB) e o presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, com apoio do prefeito Eduardo Paes (PSD). 

Visitas

Ciro é o terceiro presidenciável visitar o Rio em ritmo de campanha nas últimas semanas. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o governador gaúcho Eduardo Leite (PSDB), outros dois possíveis candidatos à Presidência em 2022, também escolheram o Estado como ponto de partida das viagens pré-eleição.

Quando esteve no Rio, no mês passado, Lula também teve entre seus compromissos um debate com lideranças negras e comunitárias. Os direitos de pessoas que vivem nas favelas cariocas são considerados tema-chave para a oposição ao bolsonarismo no Estado.

Já o tucano Eduardo Leite, que disputará as prévias tucanas, visitou o novo presidente estadual do PSDB, Otavio Leite, e o apresentador Luciano Huck, que abandonou a ideia de ser candidato no ano que vem.

Além deles, o próprio presidente Jair Bolsonaro participou recentemente de atos com forte apelo eleitoral na cidade. O principal foi uma motociata, em maio. 

Berço do bolsonarismo, o Rio é considerado um palanque fundamental para a oposição. Nos últimos anos, o Estado viveu uma série de crises políticas e econômicas, com escândalos de corrupção e governadores presos e afastados.

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